Um herói que pensa que é vilão

Ele é de sagitário. Não será o título, mas a informação é importante.

Ele diz que faz bem temporariamente, em pequenas doses. Conversar com ele é bom, gera discussão, gera pensamentos. Tem os cabelos compridos, mas nem tanto, não se importa com a aparência, mas deixaria o Hércules preocupado. Seus olhos são mel, seu queixo forte e quadrado. Sua voz definitivamente não é sedosa e sua pele não é delicada. Ele não é alto, mas sua presença causa calafrios. Não é menino, é homem.

Ele é sensível, sincero e ama o que faz, embora não assuma facilmente. Ele não está sentado na encruzilhada olhando para as opções, já se levantou e escolheu o caminho. Quer ser feliz. Vai correr atrás. Vai para onde sua energia o guia. Ele briga comigo e diz que não posso ser assim. Neurótica, preocupada, desesperada. Posso desacelerar. Eu rio. Pergunto o que mais posso dizer, depois de uma verborragia interminável. Ele diretamente me pergunta se o silêncio me incomoda. Eu digo que sim. Ele percebe, vê os pequenos detalhes. Propõe que fiquemos em silêncio, mas ele mesmo não respeita.

Ele trabalha com música. Não, ele trabalha a música. Movimenta os sons e as batidas. Assim, te envolve, te conquista. Torna as coisas únicas porque ele não é qualquer um. Parece um clichê, deveria ser. Mas não é. Ah não. Se você acha que o definiu. Não. Ele é sex symbol na teoria, mas na prática, seu coração parece ser o maior músculo e dentro dele cabe sua família, que é seu verdadeiro amor, embora ele mesmo não saiba.

Ele gosta de saber e sabe ouvir, mas também gosta de falar e de acontecimentos únicos. Ele pesquisa, sugere livros, músicas e histórias. Gosta da vida calma, de sentar embaixo de sua árvore favorita ao Sol e ouvir as melodias em seu fone de ouvido gigante. Não tem pressa, ele não acelera e aproveita cada segundo, saboreando.

Ele me surpreendeu e me envolveu por sua delicadeza e por sua aspereza. É tão vulnerável quanto parece forte. É rico e simples. Ri de coisas idiotas como te arremessar dentro do ônibus ao invés de se despedir romanticamente. Não é homem, é menino. É um ogro e acha que tem uma muralha. Mas não tem. Ah não.

Ele acha que vira a página e parte para uma vida nova rapidamente. Mas não. A página pode ter virado, o sentimento morrido, ele pode até fingir que não liga para a pessoa. Entretanto, vi as engrenagens rolando ali na sua cabeça. Sabe do que ele gosta? Assim como eu? De uma boa história. Sim, a história pode ter começo, meio e fim. Ele partiu para outra rapidamente? Sim, mas esse livro está arquivado e um dia ele vai reviver e recontar esta história. Ah vai, meu clichê em forma de herói com alma de menino.

[M.R.]

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