Tudo do mesmo

Me considero uma pessoa conectada. Durante o dia acesso diversas vezes as redes sociais e os sites que estão na minha lista de favoritos. Sem contar as páginas que visito pela primeira vez, através de uma dica de um amigo/desconhecido, busca por um assunto no Google, e também os hiperlinks.

É assim mesmo, clico em tantos sites, blogs, tumblrs, que nem me lembro qual era o primeiro tema lá atrás, quando li uma notícia que me interessou.

O lado bom nisso tudo já estou cansada de ler: as possibilidades de ver e saber de todos os assuntos no mundo inteiro e blá blá blá. Mas uma hora isso tudo cansa. Eu estou cansada. Porque, apesar das infinitas possibilidades, os assuntos são os mesmos. Sim, os mesmos! E se repetem de tempos em tempos.

Um blog um pouco mais popular publica um post com lindas fotos sobre um artista que faz esculturas na areia. Se não no mesmo dia, alguns dias depois, outros blogs também divulgam o mesmo conteúdo. Me deparo com uma foto de um hotel em alguma ilha paradisíaca. Nossa, que lugar incrível! Uma semana depois as fotos estão em mais uma dezena de sites.

Sem contar os textos. Tem um da Clarice Lispector (sempre ela!) que diz uma coisa quando você lê na ordem normal e possui outro sentido quando a leitura é feita da última linha ao início. Nem sei falar quantas vezes esse texto apareceu na minha timeline do Facebook. Todos falando como se fosse a última descoberta do século. Mas esse texto as adolescentes da minha época já escreviam nos cadernos escolares.

Pra ficar no universo do Facebook ainda: são tantos vídeos, textos, matérias e fotos fora de contexto, publicadas como novidade, como descoberta, que as pessoas não se importam mais se tudo aquilo é verdadeiro. Conto nos dedos os amigos que publicam alguma coisa que não sejam frases de autoajuda, desabafos ou fotos (selfies, viagens, etc…). Daqui a pouco o vídeo do “Filtro Solar” narrado pelo Pedro Bial vai ser publicado como o “novo” hit da web.

É uma espécie de amnésia coletiva. Ninguém se lembra do que postou na semana passada, e se algum amigo postar a mesma coisa, ainda é capaz de curtir e compartilhar novamente, como se nunca tivesse visto aquela mensagem/vídeo/foto/texto antes.

Acho sim que o conhecimento precisa ser partilhado. Você pode pensar: E daí que uma pessoa só viu agora, gostou, curtiu, comentou e compartilhou? O problema não está aí. Está em noticiar algo como se fosse novidade. Já que temos o mundo ao alcance do clique, por que não pesquisar antes de replicar uma notícia? Por que deixar frases fora de contexto? Vá na sua timeline agora e dentre tantas publicações, veja quantas realmente são interessantes. E minha pergunta é: Por que se contentar com a mesmice?


 

[ M.B. ]

Comments

comments