Tome estas asas quebradas e aprenda a voar. Você só estava esperando por esse momento para levantar

 

 

Há poucos meses escutei a seguinte frase:  “Terapia é pra gente amargurada e infeliz”. Espero sinceramente que a pessoa tenha falado isso sem pensar, no calor da discussão. Mesmo assim, é incrível que nos dias de hoje ainda existam pessoas que pensem a terapia como algo negativo.

Não, terapia não é pra gente amargurada ou infeliz. Digo que terapia é para os corajosos. Porque enquanto muita gente empurra a sujeira pra debaixo do tapete, fingindo alegrias e vivendo de aparências, nós colocamos a cara pra bater. Enquanto muita gente se diz forte e feliz – mas não consegue ficar sozinha, não aguenta a própria companhia – quem está na terapia procurou um profissional que está ali pra discutir questões que nem mesmo você sabia que existam (ou sabia, mas não queria admitir).

E dói. Vai dar dor de cabeça. Dor de estômago. Vai tirar o sono. Vai mexer com seu humor. Você vai se questionar: O que eu vim fazer aqui? Será que fiz tudo errado até hoje? Como as pessoas me aguentam? Por onde começar? Como mudar? Cadê o manual de instruções? Mas isso não significa infelicidade. Por sinal, até o seu conceito de felicidade irá mudar!

Tratar dores, traumas e mágoas para que eles não sejam despejados em outras pessoas que nada tem a ver com seu passado, aprender a não levar para o próximo relacionamento os erros, decepções e inseguranças, assim como diminuir as expectativas em todos os níveis, são apenas alguns aspectos discutidos. Porque você começa a terapia por um motivo. Mas isso, meu amigo, é só a ponta do iceberg. Prepare-se para o que vem depois, se tiver coragem suficiente para encarar, óbvio.

Conhecer todos os “EUs” que existem dentro de nós é outro ponto. E principalmente, lidar com o ego. Desconstruir sentimentos, situações e pessoas.  Aprender a lidar com o pior que existe em nós.  E assim evoluir. Porque pra mim, não há nada pior que aquele tipo de pessoa que diz: “Esse é o meu jeito, não vou mudar”. Pobres pessoas, essas sim, são infelizes!

Aí vem o momento de introspecção. Você começa a se dar conta, e toda aquela bagunça interna passa a ter um sentido. Você achou a ponta do novelo e está começando a desatar os nós. E percebe que é melhor se recolher, se distanciar de lugares, pessoas e qualquer outra coisa que não combine com o seu estado de espírito no momento.

Ah! E vai ter o dia do elogio. E o dia da bronca: “Você andou um passo pra frente e dez pra trás! Está muito boazinha consigo mesma”! Ou: “Porque ainda continua se castigando?” Mas nada supera a alegria depois que você começa a se descobrir. Nada supera a tranquilidade que sente quando se dá conta que a melhor companhia pra você, é você mesma. E que a felicidade está dentro da gente. E ninguém pode tirar isso de você.

Não estou falando de livros de autoajuda. Muito menos pra brincar de Pollyanna. Se quiser ler autoajuda, tá liberado, acho que tudo que incentiva e nos dá uma certa leveza e esperança, é válido. Mas esteja preparado. Terapia é somente para os fortes, os que desejam mudar, apesar de todo o medo e da zona de conforto. Porque a verdade é impiedosa.

Terapia é só pra quem tem a coragem de despir a alma. De revelar a sombra. De se envergonhar de alguns sentimentos e pensamentos, mas se orgulhar por outros. Isso me torna muita coisa, menos uma pessoa amargurada e infeliz.

 

“Blackbird singing in the dead of night

Take these broken wings and learn to fly

All your life

You were only waiting for this moment to arise

 

Blackbird singing in the dead of night

Take these sunken eyes and learn to see

All your life

You were only waiting for this moment to be free”


 

[M.B.]

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