Tenho dificuldades em dizer não

 

É patológico. Você pode pegar minha comida, atrapalhar minha concentração, dificultar minha vida, e eu simplesmente não consigo dizer “PARE”. Pega minha comida e tempera com algo que eu não goste, não vou reclamar! “Às vezes até gosto de provar novos temperos”, vou dizer.

Salgue a salada: “Não está muito salgada não”. Deixe o pão de queijo branco e mal assado: “Está bom, não se preocupe”. Entre na minha frente na fila do banheiro, não importa o quanto esteja apertada: “Pode ir, eu vou depois”.

Minha dificuldade não para por aí, ela se estende por diversos setores da minha existência. E se você sofre desse mal vai entender o que eu digo – é involuntário! Não existe um altruísmo nessa dinâmica de dizer sim pra quase tudo. É puramente patológico e crônico. Quando a gente vê, já foi um menear de cabeça dizendo “GO Ahead!”. E fim, você já está comendo algo que não gosta e sorrindo, disfarçando. Já deu seu lugar pra outro na fila, no canto pra sentar, na sombra, no sol. Tanto faz, já foi.

Eu pressuponho que se chegou até aqui você sofre disso. E sabe que estou sendo sincera quando assumo que não existe bondade nenhuma nessa dificuldade específica. Seria um desvio de caráter? As coisas acontecem rápido o bastante pra não dar tempo da gente pensar e agir. Dizer um NÃO bem dado exige mais esforço do que geralmente usamos pra viver. E depois de aceitar aquilo sem resmungar, você resmunga na sua cabeça por horas e até dias. “Por que raios eu aceitei?”.

Sério, ainda sinto o gosto de limão com excesso de sal na salada e isso aconteceu há tempos. Simplesmente comi calada, com um consentimento mudo e salgado na língua.  É irracional, mas real.

 

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[L.M.]

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