Te achei no Tinder

Bom, não era você propriamente dito. Era uma versão mais alta, com olhos menores e mais escuros que os seus. Vi também sua versão mais rock ‘n’ roll e uma outra versão que mais parecia você depois da dengue.

Não gostaria de te ver com dengue. Nem de cabelo raspado, muito menos com camisa xadrez. Mas vi. E vi versões de você que nem sequer parecia lembrar o tal ‘você’ por quem me apaixonei. Mas eu permanecia ali, virando as páginas como um cardápio virtual divertidinho para uma segunda-feira a noite.

Acho que o que nos faz perceber que chegou a hora de conhecer um novo alguém é exatamente isso. Quando as opções fazem ou não sentido no dia a dia.

E daí que eu tenho esse #Tinder ? Eu entro mais no teu perfil do whatsapp do que no aplicativo pra conhecer gente nova. E fico esperando você mudar o status, igual eu fazia aos 14 anos, no extinto MSN esperando uma paquera de colégio conectar.

Mas não é por esses enlaces virtuais que eu possa dizer simplesmente que ainda sou apaixonado por você. Bom, talvez eu seja sim mas não exatamente o ‘você’ que todo mundo vê. Talvez seja só um você imaginário, virtual, que eu recriei só pra não me sentir tão offline da tua vida.


 [ L.M. ]

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