Solteiros, sim! Blindados, não!

Outro dia, compartilhei no facebook uma imagem que encontrei em um blog e ela trazia a seguinte frase “A carência é a mãe da cilada”.  Algumas curtidas depois e já dava para notar que uma galerinha já havia protagonizado alguma experiência com a “cilada do desespero”. Aquela onde você conhece alguém, dá uns beijos, faz sexo, sai pra beber, leva nos lugares que você gosta e até apresenta aos amigos e, mesmo com tudo isso o coração não consegue acionar o corpo de bombeiros, sabe?

Pois é! Acho que isso explica porque a “carência é a mãe da cilada”. A não ser o homem de ferro de Stan Lee, no mundo, ninguém mais é. Não existe corpo de ferro! Logo, a fome da carne faz com que nosso corpo e toda extensão de nós, sinta necessidades de outro corpo, de mãos que dirijam nossas curvas, unhas que nos arranhem as costas, de uma boca mordiscando os lábios, de um pé passeando levemente sobre as pernas entrelaçadas no deitar, de uma mão acariciando a  mesma barba que viola o congote e os sentidos e, tudo mais que compõe o corpo a corpo do contato a dois (ou ao poliamor). Nada que não passe com uma palavra mau dita, falta de educação e incompatibilidade; nada que não se perpetue com o encontro de duas almas perfeitas para trocar figurinhas uma com a outra.

Hoje em dia todo mundo anda correndo pra pegar o ônibus, correndo pra voltar porque tem que ir de novo e ainda vivemos o mal  da interatividade virtual. Sim! Tem muita gente que prefere usar as mãos para publicar alguma coisa enquanto divide o sofá com o parceiro do que viver a aventura que é escorregar a mão no outro enquanto os pais estão sentados no sofá do lado. Isso pode explicar também o “é melhor só do que mal acompanhado”. Dividir a vida com alguém que não tem interesse em equacionar os mistérios do amor e do coração com você  é o mesmo que colocar aquele colega que não faz nada no grupo e tá ali só pra ganhar ponto. Você faz tudo e ele leva a fama junto! Se marcar bobeira, ele passa direto e você fica na recuperação! Até chegar no doutorado a gente aprende isso!

Embora os pais pensem saber o que é melhor para os filhos, só os filhos sabem o que lhes é realmente bom! Um amém bem grande por isso! Só nós sabemos o que de fato queremos. Se for pra beijar na boca, tem gente em cada esquina. Sexo então, nem se fala. Mas no fundo, o que todo mundo quer é alguém que faça o estômago borbulhar; alguém com quem ao passar o dia inteiro sentado numa mesa, venha render no final um sonoro e já saudoso “caramba o tempo voou!!”; alguém que entre em casa e não repare que a matriarca desce na boquinha da garrafa quando tomas umas ,ou, que seu pai não estudou tanto e por isso sua fala tem uma sonoridade diferente nas palavras (ou que seu pai estudou muito e tem uma empresa que não muda nada no relacionamento) alguém que aceite sua família, seu gato, cachorro e periquito; alguém cujo coração possa lhe servir por casa  – mas sem toalha molhada em cima da cama, por favor!; alguém que não seja motivo de vergonha e isso não inclui subir na mesa do bar, gritar no meio da rua ou torcer o pé e fazer essas coisas ridiculamente engraçadas, a vergonha no relacionamento tem a ver com caráter. Todo mundo quer alguém que só de olhar já tenha um raio x das suas vontades.


 

[T.S.]

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