Sobre o amor e o tempo

Ela me pediu pra escrever sobre o tempo, e acho que levei um tempo para conseguir falar sobre isso. Não porque haja algo de errado no tempo, mas porque eu precisava de um tempo pra pensar.

Mas tempo também foi o que me levou a ela. Tempo foi o que fez aquele casal do prédio da frente sentar naquela tarde com por do Sol e vinho, entre gatos brincando e um clima de paz. Foi o tempo que juntou aquele casal, o mesmo tempo que juntou esse casal aqui. E como foi bom ter esperado o tempo certo.

Já reparou quanto tempo a gente ganhou quando perdeu tempo aprendendo a ser um pouco mais parecido com o que somos hoje? E de quanto tempo você precisou até ver que aquela vida não lhe satisfaria mais? Até ver que ele era o homem da sua vida, que ela era a mulher que você quer ver ao acordar?

O tempo é senhor de tudo, alguém disse. E não como quando as horas parecem nos arrastar pra baixo, mas como quando depois de um tempo o que passou parece não mais doer como antes. Nem coçar.

Foi o mau tempo que soprou minhas velas pra perto da sua praia. Foi o tempo que eu perdi com as outras, que me fizeram ganhar com você. Porque na vida a gente precisa perder umas coisas pra ganhar outras. E graças ao tempo hoje ganhamos, você e eu.

Ganhamos tempo pra ficar um tempo a mais na cama. Ganhamos espaço pra poder ser a gente mesmo. Horas a mais pra amar sem censura. Uma noite a mais abraçados na esperança de dias melhores. E dias para ver a vida acontecer como planejado pelo universo.

“Foi o tempo que perdeste com sua rosa que a fez tão importante”. E foi o tempo que levamos pra nos soltar – do passado para o presente – foi esse tempo que nos fez ser quem somos, prontos e dispostos. E agora temos todo tempo do mundo, e pouco tempo pra fazer tudo o que sonhamos.

“Vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo”.

[J.S.]

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