Sobre gostar e outras drogas

Eu não sei explicar muito bem a mágica de gostar de alguém. A coisa acontece rapidamente, não dá aviso e só atropela.

Sua vida toda começa a fazer sentido e ter mais graça. Sabe quando alguém chega de repente e aquele cenário que já estava há tanto tempo em preto e branco, passa a ter cor? Sabe aquele raio que passa pelo seu corpo todo te estremecendo desde os pés até cabeça? É assim. Um clarão. O gostar surge e de repente não tem mais comida insossa, não tem mais mau humor de segunda feira… Aquela força invisível entra, toma conta e te conduz vida afora. Te dá coragem pra ganhar o mundo.

Eu bebo você, eu respiro você, eu almoço você e janto você. Você vira meu vício, meu filme preferido e minha música dedilhada que eu sei de cor. Sua pele vira meu cobertor e me aquece e queima a noite toda.

E nessa tentativa de controlar minha temperatura eu já nem sei se acabo de me queimar ou se te afasto pra conseguir dormir. Você toma conta, me hipnotiza e todos meus sentidos viram você. Meu olhar…

Minha retina te olha, te grava e te deixa aqui dentro, passando em looping enquanto meu coração brinca de carnaval e meu peito parece repique de escola de samba, só da introdução pra batucada maior que está por vir.

Seu perfume me invade e me acalma. Me traz a saudade de tudo que não foi e que já é. E o tempo já não existe, tudo que conta é a ansiedade se você demora…

Por isso fica, não vai mais. Mora em mim que prometo não te despejar e te dar passe livre pra passear em mim.

[M.G.]

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