Sai da minha cabeça!

Não sei se é justo, ou se é certo. Não sei se tenho direito e nem se posso ser preso por dizer uma coisa dessas, ou mesmo pensar. Não sei se é moralmente aceitável e muito menos se poderia perder de vez a moral.

Mas eu sinto uma saudade do cacete toda vez que eu lembro do brilho dos teus olhos. E do seu cheiro. E da forma como você insiste em ser incrivelmente viciante quando se deixa mostrar.

Logo eu que já conheci tanta gente. Logo eu que sempre fui duro na queda. Logo eu que sempre esnobei a paixão.

É rolar aquela música e eu lembro de você deitada na minha cama, cantarolando e jogando alguma coisa boba no celular enquanto fala comigo e briga por espaço no colchão.

Eu estou ficando velho. Mais do que minha aparência ou meus fios de cabelo branco poderiam aparentar. A minha alma não aguenta mais a montanha russa que é ficar perto de você, meu coração não suporta mais tanta porrada. E se eu ficar sentindo sua falta toda hora que tocar uma música que você gosta, em breve eu serei um velho sem futuro e sem companhia.

Porque lembrar de você me boicota qualquer possibilidade de um novo amor. Porque teu sorriso e as nossas horas de conversa são o que há de mais precioso na minha memória, e realidade nenhuma bate essa meta.

E cada vez que você se aproxima e finge que vai ficar pra sempre, eu bato o pé e insisto que não vou me deixar levar pelo teu jeito manso de falar. Mas esse meu coração idiota é um músculo velho que age de forma involuntária. E em pouco tempo eu já estou alterando tudo no meu mundo, pra ficar um pouco mais perto do seu.

Esse texto não é uma confissão. É uma súplica.

Acordar e não lembrar mais do gosto do seu beijo, da temperatura do seu pescoço e muito menos do som da sua voz irritante me contando, empolgada, um grande acontecimento corriqueiro da sua vida cotidiana. Te esquecer e não ter que lidar, novamente, com a alegria do meu peito batendo forte cada vez que você reaparece.

Quem sabe um dia.


 

[J.S.]

 

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