RÓTULOS X MOMENTOS – Nomear suas relações é deixar de vivê-las intensamente.

Por que as relações precisam de um rótulo?

Se eu saio com alguém já faz um tempo essa pessoa precisa ser meu namorado, se eu converso com você todos os dias você já é meu amigo, se nós temos outros casos por ai, então somos amantes, e se não temos ninguém, somos solteiros, solitários, mal amados, mal comidas. Não entendo. Não encontro os porquês de nomear nossas relações. Não podemos ser simplesmente, eu e você? Eu e você muito bem resolvidos, do que eu e você amarrados por um nome, um casal, um elo com promessas de um infinito vazio?

Eu prefiro deixar histórias legítimas sem títulos, sem funções pré estabelecidas. Até porque, inicio, meio e fim são elementos das redações do ensino fundamental. A vida real é tão inconstante, tão mutável, que nomeá-la é interrompê-la. É limitar as possibilidades dos nossos contos de fadas. E sonhar com ponto final é muito sem graça. As definições de papeis dentro do roteiro de cada pessoa vêm com o tempo, com a acentuação dos sabores, com o ponto de equilíbrio do que se espera e do que se pode oferecer no momento. E se não quiserem entrar na distribuição de personagens que se exige para cumprir o script da boa moral e dos bons costumes, tudo bem! Se tu queres saber, melhor assim. Tem tanta gente que acha ser o protagonista e não passa de figurante…

Perguntaram-me ontem, insistentemente, se eu estava solteira. Repliquei: Por que não me perguntam se eu estou feliz? Mania imbecil de ficar rotulando quem te faz bem. Pra mim é isso. Com os rótulos vêm às obrigações, com as obrigações as cobranças, as cobranças roubam a espontaneidade das relações, tiram a paz, a beleza natural da troca individual de cada um. Podemos ser um par que se trata na frente dos outros como amigos, que vive suas experiências particulares sem afetar em nada o carinho e o respeito que sentem entre si, mas que entre quatro paredes são tão exclusivos, tão seus, como nunca foram para outros. Muito moderno tudo isso? Eu resumiria em muito prático. Gostamos de nos ter e isso nos basta. O resto são explicações pífias para acalmar as especulações de uma sociedade hipócrita, louca por fofoca e intrigas, que reina ai mundo a fora.

Prefira bons momentos a um status. Seu posto na vida de alguém pode ser assumido por qualquer pessoa, a qualquer mudança de vento, a qualquer alteração de humor. O que você viveu ninguém rouba.


 

[T.M.]

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