Relaxa, a culpa não é sua!

moça de famíliaboamoça (1)

 

 

 

 

 

 

Levantar bandeiras é uma coisa muito complicada quando se trata de escrever na internet, pois estas bandeiras ficarão ali estendidas e tremulando por muito tempo, gravadas sob meu nome. Ainda assim, há bandeiras que escolhemos erguer com orgulho.

Umas delas para mim é a da não-culpabilização da vítima (ficou feio em português, em inglês este ato é chamado de “victim blaming”, muito mais charmoso).

A atitude em si está longe de ter algum charme: ela ocorre quando alguém é roubado, por exemplo, e todas as pessoas relacionadas à vítima dizem “ah, mas você não toma cuidado por onde anda! É sossegado!”. Ou no momento de violência contra a mulher, seja verbal ou física, em que se diz “ah, mas ela estava pedindo, com essa saia curta e este decote”.

A bandeira que eu quero levantar tem bordadas em letras garrafais “a culpa NUNCA é da vítima!”. Se uma mulher sofre um assédio no metrô, ganha uma cantada na rua ou um mesmo rapaz tem seu carro roubado, isso não significa que eles facilitaram para o agressor. É muito fácil a culpabilização, pois numa sociedade carente de empatia, dizer ao outro que ele poderia escolher não ser agredido com medidas simples é muito simples.

A questão é que andar com seu iPhone em punho ou com a janela do carro aberta com o Rolex pra fora não deveriam ser sinônimos de “a culpa é sua que fica mostrando”. Assim como usar um batom vermelho, sorrir e ser simpática NÃO PODEM E NEM DEVEM ser o mesmo que “me ataque que estou facinha”. Não, não estou! Estou arrumada, bela e me sentindo bem, apenas isso. Se dou sinal verde, vai ficar bem claro, e não será pela cor do meu batom, pelo fato de eu ser uma pessoa educada e sorridente ou pelo tamanho da minha saia. Acontecerá com educação, transparência e respeito.

Estas e outras situações demonstram de leve o óbvio: embora seja muito claro já para uma parcela da sociedade que a culpa não é da vítima, para muitos outros, ainda há uma necessidade de transferir esta responsabilidade para quem sofreu uma agressão. Não é a toa que a Super Interessante brilhantemente, ao falar sobre estupro, utilizou, dentre outras imagens, estas que estão no comecinho deste post para mostrar que a sociedade ainda tem muito de victim blaming para erradicar.

Acho que o importante neste rápido pincelar sobre o tema é compreender que ainda existe o ato de culpar quem passou por um estupro, por exemplo, e tentar, acima de tudo, desmanchar sempre que possível este discurso. Um sermão? Um texto no blog? Uma puxada de orelha amiga? Politização? Não sei! Cada um que faça do seu jeito, mas mostre aos seus queridos que a culpa não é da vítima não! O problema é de quem desobedece à lei básica de convivência humana, que é não ultrapassar o espaço pessoal do outro sem autorização.


 

 

[N.D.]

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