Quem é teu herói? O Que você veste?

 

Hoje saí com a camiseta do Batman na rua e poucos metros de casa já me deparei com uma garota, vindo na minha direção, vestindo o símbolo da Mulher Maravilha. E me dei conta de que todos nós estamos tentando salvar o mundo. O nosso e o dos outros.

Lembrei também que meu herói favorito sempre foi o Superman. Símbolo de altruísmo, a salvação que derrama esperança na Terra. Um cara que não machuca os vilões mais fracos que ele, antes guarda toda sua força para os fortes, para vilões que realmente só ele consegue prender. E como todo bom herói a regra é “não matar”. O Superman ou até mesmo seu alterego Clark Kent é a simbologia do tipo de humano que nenhum humano consegue realmente ser. A prova disso é que o próprio herói nem mesmo humano é.

Não me perdi da paixão pelo kryptoniano, porém hoje em dia uso no peito um símbolo mais sombrio, e nas lojas é de longe o símbolo que mais se vê – O Batman. O herói que teve seu gatilho na morte prematura dos pais, assistindo de perto do que o ser humano é capaz, transformou sua ira em algo que pudesse fazer de Gotham um lugar melhor. E diferentemente do Superman, o Batman é bem humano, quase que literalmente falando. Possui características que ouso descrever em pequenas frases reafirmando que trata-se de um herói que nada tem de altruísmo, ao contrário, seu objetivo é sempre descarregar sua fúria em cima de qualquer um que não esteja agindo de acordo com a lei ou até mesmo com seus próprios julgamentos.

O Batman é a sombra de uma psicopatia quase oculta. O “quase” é porque as teorias sobre a escuridão do homem morcego são infinitas, isto é, de alguma forma todos enxergam um problemão sério na forma como o herói enxerga e aborda a maldade ao seu redor. Ossos fraturados, desmaios, lesões e muito sangue derramado envolvem as ações do cavaleiro das trevas, que age na calada da noite e deixa pavor por onde passa. Sua única regra é “não matar”. E convenhamos que pela descrição é quase um anti-herói. O Batman é o que todo ser humano “de bem” gostaria de ser – rico e com capacidade de punir a maldade sem ser pego.

E por falar em “punir a maldade”…

No episódio 09 da terceira temporada de Lucifer (também um quadrinho que virou série) o policial Espinoza diz “ninguém espera que você mude da noite pro dia” e “não é fácil ser um dos bons, eu também já estraguei tudo”. A sobriedade dessas frases me fizeram parar um pouco e escrevendo esse texto me lembrei de uma passagem do seriado Smallville em que a personagem Lana diz ao ainda jovem Clark algo como “não é fácil estar a altura do Sr.Perfeição”.

A crescente publicidade em cima de filmes, séries, jogos, roupas e acessórios de heróis me despertou para a psicologia do consumismo. Estamos realmente usando um símbolo de entretenimento ou vestimos um sutil desejo por ver o mundo mais seguro? Por viver numa cidade em que a qualquer momento um ser de outro planeta *(ou desse mesmo vestido de couro pulando prédios) vai aparecer e nos salvar da realidade? Vestimos nossa melhor coragem ou a força pra segurar a esperança ainda vida apesar de tudo?

Quem é teu herói? O Que você veste?

[Luciana Meningue]

Observações:

As informações aqui não englobam todos os quadrinhos e versões já existentes dos heróis, portanto se tiver um quadrinho na história que “desminta” minha lógica utilizada acima não seja um fã fanático e compreenda que é uma análise rasa e tem por objetivo capturar a essência principal de cada personagem, e para tal me apeguei aos detalhes que absorvi em anos de carinho pela DC e seus personagens.

Aceito comentários sobre quaisquer abordagens e novas formas de enxergar o debate proposto. Vamos conversar!

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