Quantas máscaras alguém consegue usar ao mesmo tempo?

Certamente você já ouviu/leu frases como “Uma pessoa não é o que foi no último encontro, ela é o que foi o tempo todo que passaram juntos.” ou “Quer conhecer alguém? Case-se com ela. Quer conhecer alguém de verdade? Separe-se.”

Sobre comportamentos, certa vez ouvi que bem e o mal andam juntos, são dois leões. O mais bem alimentado é mais forte, domina o outro.

John Green escreveu em A culpa é das estrelas – “A dor não muda as pessoas, ela as revela.” Afirmação amarga da personagem, que passou pela minha garganta como uma lâmina ardida a rasgar as cordas vocais e me roubar as palavras.

Talvez uma pessoa não viva mesmo de máscaras. Talvez seja necessário um tempo para descobrir quem é quem. Aquele cara não é tão galã, na real – no dia a dia – ele é um bosta que te trata como princesa da Disney, presa no castelo enquanto ele joga futebol com os amigos e galinha por aí. Sua obrigação é estar bela pra quando ele chegar.

Talvez aquela garota legal que se mostrava disponível e afim de ser sua companheira de aventuras é uma chata, que só pensa nela mesma. Egoísta e totalmente confusa sobre o que pensa. No fundo ela só queria uma muleta enquanto não decide o que quer da puta da vida.

E talvez essas personagens foram assim o tempo todo, e só você não sacou. As revelações acontecem quando tiramos dos olhos a nuvem que os cobria. A dor revela quem realmente somos, e passamos a enxergar que aquele relacionamento estava no arrastando pra um abismo de pequenices, reduzindo nossa massa encefálica a pó. E o outro sempre foi assim, a gente é que não viu. E agora, que leão você vai alimentar?

– Como você conseguiu me esquecer?
– Te matei de fome.


 

[ L.M. ]

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