Qual sua descrição?

O texto está na sua timeline. Depois de ler você quer saber quem é o autor. E a descrição está lá: “João da Silva: paulistano, veterinário, mas gosta mesmo de surfar. Ainda vai comprar uma casa no Havaí, mas por ora, contenta-se em escrever nas horas vagas”.

Já reparou como a descrição no fim dos textos em blogs e sites seguem o mesmo padrão? Acredito que isso tenha começado com o Twitter, porque se definir em 140 caracteres não é pra qualquer um.

Acho que deveria existir um #Tumblr com as melhores bios (as descrições). Se já existe, alguém me envia, por favor! Porque o povo é criativo! Tudo pra vender uma imagem. Parecer indie-hispter-cult-descolado-desprentensioso. Ou #omaislegaldetosdosostempos. Até para parecer que não liga para as descrições, a pessoa com certeza perdeu algumas horinhas para escrever o perfil.

Funciona como uma fórmula. Alguns dados são obrigatórios: profissão, idade, signo, hobby, algo que goste muito ou que não goste, cidade natal (e a cidade do coração, isso não pode faltar). Prato preferido também vale. Na verdade, qualquer coisa preferida (uma banda, time de futebol, cantor, filme, diretor)!

Claro que muitos devem ser sinceros, não tenho dúvidas. Mas, me parece que apenas assinar o texto não basta. É preciso se mostrar. Não no sentido de “estar-se-achando”, mas de intimidade mesmo. Se eu falar como sou, os leitores irão gostar mais de mim? Por que essa obsessão em explicar quem somos e querer que o outro nos conheça? Pra bom entendedor, meio texto basta para conhecer o estilo e a personalidade do autor, mesmo que a descrição insista em dizer o contrário.

* Sobre o autor: Maria Bella é bragantina, paulistana de coração. Jornalista, tem o coração dividido entre Palmeiras e Bragantino. Está sempre com fome, não gosta de café e queria ter um cachorro.

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