Porque nunca deixamos de buscar um alguém

Nunca. Porque o amor é uma intoxicação, uma droga. E ai de repente você começa… Começa a ver colorido no cinza do inverno, calor na madrugada fria, brilho na luz da rua – que até ontem era opaca, fúnebre. Pula poças e canta na chuva. Tarde demais, você está intoxicado pela alegria da vida a dois.

Passeando pelas lojas pega um álbum de rock, é a banda preferida dele. Na livraria passa por uma prateleira de literatura internacional percebe que está com o exemplar de David Levithan que ela mais gosta. Dependendo o grau de intoxicação você até compra e consome, sem perceber.

É rápido não é? Aquele filme de carros super tunados, que antes era seu asco maior, vira um blockbuster elegível pro final de semana. O hábito de ver desenho todas as manhãs de domingo, acaba trocado pelo programa de entrevistas políticas. E no fundo você acabou gostando, “interessante” pensou.

E não pense que isso acontece porque você quer agradar. Mas porque a companhia favorece. Porque aquilo está começando a ser parte do que você tem adquirido no meio do caminho. Feito uma evolução da espécie, feito uma metamorfose gradual e equivalente.

Os dias vão passando e você deixando os hábitos anteriores. Abrindo mão de coisas, adquirindo novos conceitos, imprimindo também seus desejos. Trocando identidades, miudezas e risos. Você de repente percebe que o riso dela (e) é o que te faz levantar da cama, não por dependência, mas por alegria.

E é pelo vício nessa alegria que todos vivem em busca de alguém. Alguns perdem, outros se perdem, mas inevitavelmente nunca deixamos de buscar.

[Luciana Meningue]

Comments

comments