Parabéns pai – o aniversariante do dia

Sessenta anos. Hoje meu pai completa 60 anos de vida. Vida esta que daria um livro, um ótimo livro na verdade. Filho de pai italiano que fugia da guerra e acabou numa minúscula cidade no interior de São Paulo chamada Vargem, José Roberto é o caçula de seis irmãos. Teve uma infância simples, porém feliz. Entretanto, a vida ensinou ainda na pré-adolescência que nada seria fácil. E também ensinou o significado da dor e saudade. Aos 12 anos perdia a mãe, meses depois, o pai. Por causa disso foi preciso dar um salto de maturidade, e passou a ter responsabilidades que eram injustas para alguém tão novo. Mas como tantas histórias que a gente ouve por aí, meu pai fez das adversidades uma oportunidade para crescer. Trabalhou, trabalhou e ainda continua trabalhando. Não parou de estudar, se formou em direito. Só que a vida continua dando suas lições. E ele, casado, com duas filhas, teve que deixar o sonho guardado e continuar a ser comerciante (com muito orgulho, óbvio). São mais de 40 anos trabalhando no ramo alimentício.

Graças a nossa lanchonete, que fica numa universidade, tive tudo que sempre quis. Isso teve um custo, claro. Algumas épocas passava quase a semana inteira sem vê-lo. Mesmo assim, nunca foi ausente. Tenho lindas recordações: ele e minha mãe sempre liam histórias pra gente; meu pai me trazendo de volta pra casa porque eu não entrava no colégio por nada nesse mundo; nós todos assistindo filme ou ouvindo o disco da Arca de Noé, de Vinicius de Moraes; ele e minha mãe fazendo teatro de fantoche no quarto pra nós. E com três mulheres em casa, meu pai exercitou o lado feminino. Qual pai envia flores na primeira menstruação da filha? Qual pai vai à farmácia comprar absorvente ou a cartela de pílula? Pois o meu vai! Ao mesmo tempo em que sou a “princesa” dele, também aprendi a fazer algumas coisas que ele gostaria de ter feito se tivesse um filho homem. Íamos pescar, aprendi a gostar de futebol e a torcer (e sofrer) pelo Palmeiras. Coisas desse tipo. Agora com 31 anos, após uma temporada fora de casa, voltei a morar com meus pais. E mais, comecei a trabalhar com ele.

O que acho mais interessante e me enche de orgulho, é que não existe um dia sequer que um cliente entre na lanchonete e não pergunte dele. Todos têm uma história pra contar e são unânimes: “Seu pai é uma pessoa incrível! Gosto muito dele!”. Na verdade ele não é só meu pai. É pai dos meus primos, funcionários, ex-funcionários, clientes e quem mais precisar de sua ajuda e conselhos. E eu só posso ser grata por tudo isso. Nesse aniversário, eu só espero que ele descanse mais, trabalhe menos e continue com toda a disposição para continuar fazendo as nossas caminhadas. Porque nesses momentos a gente conversa sobre tudo e as coisas ficam mais simples ao lado dele. O bom da maturidade é que ele continua sendo meu pai, mas mais que isso, hoje eu tenho um amigo. Em casa temos uma “mania” de desligar o telefone com um “te amo”, assim, não importa o que aconteça, a gente sabe que o amor é sempre maior. Portanto, Feliz 60 anos pai! Te amo infinitamente!


 

[Fê ]

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