Paqueras modernas – como flertamos sem olhar nos olhos

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Essa síndrome da ausência de timidez virtual está tomando nosso cotidiano em coisas que não deveriam. Vou exemplificar.

Há alguns anos, quando duas pessoas se olhavam por um tempo, elas uma hora tinham que conversar, perguntar o nome, o que gostava, etc. Bom isso nem sempre favorecia os tímidos, que sempre perdiam a garota pro cara mais descolado e com menos vergonha de se assumir como paquera.

Para os tímidos restavam os papeizinhos ou mesmo a ajuda de algum amigo. Mas nesse caso corria o risco de o “telefone sem fio” não funcionar e o cara perderia a garota.

Com o passar dos anos inventaram a internet e com ela as redes sociais – além claro dos instant messengers. O ICQ, o MSN, o Whatsapp foram e são fortes auxiliares para quebra de timidez geral, o tal “quebrar o gelo”. Mas até chegar no contato do ser humano, convenhamos, você precisa de pelo menos o facebook da garota. Sim? Não!

O tinder apareceu para revolucionar essa coisa, abrir portas onde não havia. E lá está você dando likes e conhecendo gente nova sem sair da sua casa. Agora, inovador mesmo é o tal “Happn” que te permite ter um contato com aquele garoto que estava perto de você no metrô e com quem você não teve coragem de conversar.

Agora eu imagino uma sociedade totalmente de cabeça baixa. Não existe mais o flerte light do ônibus. Duas pessoas se olham e que tal? Abaixam a cabeça e começam a procura frenética um pelo outro nos aplicativos indicativos de pessoas próximas.

QUAL A LÓGICA DISSO? CADE O FLERTE?

Jovens do Senhor, vamos deixar a tecnologia ajudar somente no que for necessário? Vamos tentar nos aproximar uns dos outros sem a necessidade vegetativa dos aplicativos e/ou redes sociais. Eu entendo que a tecnologia ajuda, mas meu caro, nada – eu disse NADA – é tão envolvente quanto um par de olhos nos olhos e um belo e audível “OI”.


 

[ Luciana Meningue ]

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