Os garotos da minha vida

Estava pensando sobre “os garotos da minha vida” e comecei a classificá-los em: correspondidos, platônicos e impossíveis (casados, gays, muita areia para meu caminhão, etc), paixonites (os novos “crushes”), amores (do tipo dramas pesados), “investi tempo e energia demais”, “nossa eu já gostei dele”, e “isso foi carência, só pode”. Percebi que eram classificações que podiam se correlacionar e não eram independentes.

Eu me apaixono fácil e difícil. Tenho aquele check list que todo mundo tem mas algumas pessoas negam.  Tenho três tipos claros, se for para facilitar a divisão e a seleção. E aqui digo tipo físico mesmo, de atração à primeira vista. Porque o psicológico não varia tanto (aquele bobo, engraçado, que me faz rir e ao também conversa sobre qualquer assunto ou tem aquele humor negro e afiado e é metido a intelectual demais para seu próprio bem) e ao mesmo tempo cada um tem seu charme, sua faísca.

Uma vez aprovado o candidato, eu me apaixono em três palitos. Sim, meu cérebro é um traidor. Por esta razão a minha frequência de “crushes” foi até que alta. E só como um adendo, tenho certeza que os momentos em que fui mais feliz foram quando estava lúcida (não inebriada pelo amor platônico não correspondido da vez) e sem estar com uma paixonite, ou seja, um total de 3 minutos na vida. Não me preocupava, não ficava ansiosa ou obsessiva, isto é, não estava apaixonada.

O próximo passo lógico foi dar aquela stalkeada e ver como estava a vida de cada um. Afinal, em algum momento, por alguns segundos, meu útero considerou a possibilidade deste ser produtor de testosterona ser um bom macho para formar uma família. Percebi que estando na idade que estou, vulgo chegando à casa dos 30, a maioria está passando por aquela transição de namorando sério para casando. Ou seja, percentualmente, meu útero escolheu moços de família mesmo.

Percebi que já não sinto mais nada por eles, pelos passados curtos ou distantes. E ver o sucesso ou o fracasso, casamento, noivado, novo filme, novo trabalho, conquista ou “meu Deus como ele engordou/emagreceu”, está com barba ou sem, cabeludo ou careca, enfim, não me afeta. Em nada.

Entretanto, não sou completamente vazia de curiosidade, até acho interessante saber o que aconteceu, como quando quero saber o que acontece com um personagem de um livro ou série. Se os garotos não foram meus amigos antes de serem “crushes”, então realmente não reajo muito. Agora, os meus amigos-problema, estes eu comemoro as alegrias e julgo um pouquinho as escolhas, porque, afinal de contas, ninguém é de ferro, né?

Todos temos nossos fantasmas dos relacionamentos passados, consequentemente, dos sentimentos passados também. Só que é possível superar a imagem de quem as pessoas já foram e perceber que nós mesmos já não somos iguais aos nossos eus-passados e nossos “crushes” já não nos afetam mais.  Apaixonar-se pelos “garotos da sua vida” só te ajudou a saber mais sobre você, quem você é e do que você gosta e de como gosta de ser tratado.

[M.R.]

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