O xadrez da vida

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Decisões. Existem quatro tipos delas. Algumas são fáceis, extremamente fáceis; outras te fazem pensar um pouco; e finalmente, existem aquelas que te perturbam incomensuravelmente. Eu estava bem com as três primeiras, mas aí dei de cara com a última.

Uma oportunidade pulou no meu colo nem muito melhor nem muito pior do que a situação que estava vivendo naquele momento. Aconteceu igual jogo de xadrez: rolou um interesse e dei o primeiro passo, a primeira jogada. Depois me arrependi, tive dúvidas e ameacei pular fora antes da próxima jogada. Fui aconselhada a tentar e ver no que dava, de qualquer forma seria uma nova experiência e colecionar experiências nos torna mais fortes e sábios. Andei com meu peão.

O jogo continuou e quando me dei conta estava ali na frente da rainha e ela estava me dando boas vindas. Eu podia fugir ou aceitar novamente. Uma jogada me levava ao rei e em duas outras eu também conseguiria ganhar o jogo. Em uma jogada eu me exporia mais e na outra passaria mais desapercebida. E agora?

Quem nunca se encontrou nesta situação em que está numa encruzilhada, olha para os lados e vê duas possibilidades: a do mapa, uma jogada ensaiada, e outra, que pode ser um atalho mais segura, uma jogada inesperada? A pessoa faz listas infinitas de prós e contras, pede conselhos àqueles de quem valoriza a opinião e a experiência e no fim, se apega aos detalhes ditos por estranhos porque tem tanta informação que já nem se lembra de qual era sua própria opinião.

Escolhas. Xeque-mate.

Fechar os olhos e pular ou insistir e persistir na dedicação e no esforço que abre portas? Os livros e palestras de autoajuda adoram dizer a plenos pulmões: “Você deve ser o autor da sua vida e não o coadjuvante”. A pergunta que fica: escolher permanecer e não mudar o rumo o torna secundário nos caminhos da vida? Ou por escolher você já se torna protagonista?

Mas aí, vem aquela pulguinha e te fala: “se você não tentar, nunca saberá!” E em meio a todos os clichês você dá um passo. O caminho piora até melhorar, mas o clichê mais importante vai ser: “continue andando e não olhe para trás, confie na sua escolha”, ou como Daenerys Targaryen diz em seu bordão, “se eu olhar para trás, estou perdida”.

Ninguém nunca saberá qual o efeito borboleta gerado pelas suas decisões, uma vez mudado ou mantido o caminho, a opção se apaga e você tem que entender que esta foi a melhor decisão que podia ter sido tomada, porque foi a decisão tomada (Fernando Pessoa aprovaria esta afirmação).

O que eu aprendi desta minha primeira experiência sofrendo por uma escolha difícil é que enquanto estiver caminhando você ouvirá os sons da trilha vizinha, mas ignore-as, elas não fazem parte do seu trajeto, elas estão longe e você deve achar a segurança dentro de si mesmo e a força e a coragem de seguir em frente, por mais que você não consiga enxergar o caminho e que ele pareça nebuloso.


[ M.R.]

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