O último pôr do Sol, com gosto de saudade

 

Quantas vezes a vida pode dar uma nova chance? Quantas vezes a gente precisa bater de frente com o destino até finalmente ter certeza de que o certo, é na verdade, o errado?

Duas pessoas como você e eu, por exemplo. Ao que tudo indica nós fomos criados pra ter um final feliz juntos, certo? Bom não sei.

A gente se dá bem demais, do tipo que quando conversamos nem o tempo é capaz de parar essa coisa boa que toma conta da gente. É quase como uma força que não pode ser parada. Então, no nosso caso, o tempo é quem para.

E quando alguém vê a gente junto? Deus, como a gente se encaixa. Visualmente, intelectualmente, ou o tom de voz, é tudo junto e misturado, como dizem por aí. Parece que fomos realmente feitos pra durar.

Mas nunca duramos, certo?

E como abrir mão da pessoa que poderia, realmente, ser o amor da minha vida?

Quando tudo o que eu queria era ser prioridade pra você. Quando eu queria ser parte da sua vida, do seu mundo. Eu queria que você frequentasse os jantares com meus amigos, e queria te acompanhar num domingo no parque com os seus amigos. Queria a gente se misturando física e psicologicamente, daquele jeito que os casais de verdade fazem.

E tenho medo que, se abrir mão de você de novo, seja a última vez. Porque eu sei que a gente sempre volta a se misturar, mas até quando? Estamos velhos meu amor. Uma hora um de nós não estará mais disponível, e pela minha experiência sei que esse alguém talvez seja você.

Mas como requisitar seu coração sem te perder? Como tentar me aproximar sem causar um estrago do outro lado do mundo? Porque toda vez que a gente se aproxima, alguma borboleta é pisada, e tudo volta à estaca zero.

E eu só queria zerar tudo, mas de um jeito que fizesse a gente ganhar. Felizes para sempre e enfim juntos, de uma vez por todas.

Sentar e ver o pôr do Sol, todos os dias, ao seu lado até o fim.


 

[L.M.]

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