O que você quase falou?

Quase não acreditei quando ficamos juntos. E quase não coube em mim a felicidade que sentia ao seu lado. Eu quase falei que te amava depois de alguns encontros. E que você foi o motivo da minha volta.

Por pouco não admiti que finalmente conseguia dividir a cama sem me incomodar com a presença de outro  corpo. E quase falei que queria ficar ali pra sempre. Você era o motivo das mudanças.

Quase não acreditei na nossa felicidade. Nossa cumplicidade. Intimidade. Na nossa preguiça conjunta. No fim de semana só nosso.

Por pouco fingi que não percebi as brigas aumentando e a gente se distanciando. Quase esqueci de mim, de quem sou. Quase não te reconheci. Quase esqueci o quanto me magoou. O quanto sofri. O quanto doeu.  Quase morri de amor. De saudade. De ciúme. De orgulho ferido.

Quase acreditei que a sua partida era verdadeira.  Um primeiro de abril fora de época. E nesse quase, não percebi o tempo passar. Quase não te vi. Quase te liguei para contar as novidades. Saber como você está.

Quando passou do outro lado da rua, quase corri em sua direção pra te abraçar. Quase pedi pra você voltar. Quase falei que ainda estou aqui. Quase esqueci que você já me esqueceu. Quase não lembrei das nossas diferenças. Quase esqueci que já faz um bom tempo.

E eu quase te disse que esse texto é pra você.

Foi por pouco.


 

[M.B.]

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