O mundo no coração

Ser intenso não é cometer loucuras a todo tempo, nem sair por aí beijando bocas desconhecidas. Tão pouco transar alucinadamente com quem acabou de conhecer. Ser intenso é muito mais que fazer aquilo que os outros possam ver. Ser intenso é ter o mundo no coração e querer colocá-lo do coração pra fora.

E não é fácil. Todo dia é um novo sonho, sonhos incríveis. Sonhos que não conhecem o egoísmo dos que vivem por viver, sonhos que desejam atingir todos que se gostam, todos aqueles que queremos bem. Nós desprendidos do corpo somos assim: queremos grandes histórias coletivas, de amor, diversão e paz, de sorrisos e músicas, e dança, e beijos, e calor. O individual só é completo se todos estivermos juntos. Os intensos não querem só estar bem, querem que todos assim estejam.

Vivem de histórias loucas por aí, mas não mais do que aquelas que rondam seu travesseiro antes de dormir. Os intensos idealizam demais, dão asas longas a sua imaginação e querem que ela atinja quem estiver por perto. Querem participação. Melhor do que bolar um plano sozinho é realizá-lo em conjunto. Querem dias sem horas, noites sem fim. Querem uma viagem com farra, um jantar com carinho, um parque e mil crianças, uma piscina tranquila, um mar com bagunça. Querem tudo que traga prosperidade. O cotidiano anda rodeado de pessoas cansativas, revoltosas com tudo, cruéis com as palavras, maldosas nas atitudes. Os intensos de alma querem acalmar essa atmosfera pesada a qual estamos expostos todos os dias. Eles querem mais energia positiva, mais humanismo espalhado.

Não, eles não querem mudar o mundo, não são puros, não são perfeitos. Ao contrário, de tantos erros que já cometeram com os outros, andam preferindo ser acerto. Vem numa sequência de pensamentos insanos e bem-aventurados repovoar por onde andam com boas ideias para serem vividas. Ninguém é obrigado a acompanhá-los, mas eu ousaria dar uma chance.

[T.M.]

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