Não temos tempo para os covardes

Nossas rotinas estão um pouco diferentes. Mas é o que acontece na vida adulta: precisamos ir atrás do pão de cada dia e buscar algum sentido nesse mundo que anda mais bagunçado que o normal. Mesmo no meio dessa confusão a gente se entendia e achava uma brecha.  E era isso que nos tornava especiais.

Mais do que compartilhar momentos, sabíamos que era possível falar verdades sem censura. Não havia julgamentos. Entretanto, isso não significava que concordávamos em tudo. Eu ouvia pacientemente seu ponto de vista enquanto você lia minhas intermináveis linhas, às vezes meio desconexas, mas sempre sinceras. Por um tempo funcionou bem.

Infelizmente a vida não é feita apenas de discursos bonitos e promessas. Ela cobra atitude, posicionamento, opinião e mais uma palavra que anda esquecida: coragem. De nada adianta uma opinião sem coragem para expressá-la. Prometer se não tem coragem de cumprir. Ficar no virtual se não tem coragem de ir para o real. Sem atitude, promessas são apenas palavras soltas vagando no universo.

Mesmo assim é preciso cuidado com o que se diz, com o que se escreve. Você pode não lembrar (ou fingir que não lembra), mas as palavras estão ali. É a lei da ação e reação. De alguma maneira aquilo volta pra você.

Então entramos num período de hibernação. Nenhum sinal, apenas o silêncio. Mas “o silêncio também é resposta” e permite dezenas de interpretações, inclusive que ali não existe coragem de enfrentar uma situação.

A gente que não é boba entende o recado. Coração calejado é assim. Já sabe a hora de sair de cena. Lamenta, não vamos negar. Mas segue porque o tempo é precioso e a vida é muito curta pra esperar por alguém que nunca vai mudar.

[M.B.]

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