Meu lado conquistadora barata

Eu nunca fui lá uma garota muito popular com os rapazes quando adolescente, ao contrário, saía com os mais feios e almejava os bonitões, sem ter o menor traquejo para lidar com eles. Os divertidos e populares estavam fora de alcance. Os apaixonantes nunca seriam meus, eu pensava, e então ficava com a segunda opção – que, não me entendam mal, não há nada de errado, mas não era o que eu queria.

Com o tempo, veio o teatro, foi-se um pouco a inibição. Veio o jornalismo, foi-se a falta de assunto. Veio a vida social, foi-se embora a falta de pessoas para treinar as habilidades de conversação.

Ainda assim, me considero uma moça levemente tímida na maior parte das situações, especialmente as que envolvem se relacionar romântica ou sexualmente.

No entanto, o que acontece muito é que se quero algo ou alguém, vou lá e arrisco, com o meu melhor discurso de convencimento, penso, faço uma estratégia e tento. Mas quem pensa que eu geralmente me preocupo horrores com o resultado, se enganou! A parte divertida do ato de tentar é que você já tem o “não”, se vier o “sim” é lucro.

E tentar envolve muitos passos: olhares, trocas de sorrisos, gestos e palavras mudas à distância. Mas, acima de tudo isso, um fator impressionante e devastador na hora da conquista: ter confiança em si.

Não adianta querer vestir a menor saia e o maior salto se isso não é sua cara. Às vezes você simplesmente se sente linda num belo jeans, sapato confortável e uma batinha. O importante é a atitude confiante. Afinal, como puxar assunto com um cara que é a última bolacha do pacote se você se sente “razoavelmente bonitinha” e não “a gata do rolê”? Simplesmente não vai rolar!

Charme e timidez podem estar altamente relacionados, mas insegurança não. Se alguém gosta de uma mulher insegura, provavelmente não está com boas intenções com relação a ela. Sempre me lembro da Miranda Hobbes, personagem do Sex and the City, que não se sentia nada confiante, mas conquistou o cara mais gato da academia mesmo assim. No entanto, a partir do momento que ela começou a se sentir bela, perdeu o charme para ele! Parece bobagem de série norte-americana, mas pense um pouco: porque alguém gostaria de uma mulher que não sustenta seu próprio “eu” sem baixar os olhos? Não poderia ser saudável.

E não é só porque a conquista e o relacionamento não darão certo. Na real, diferentemente da ficção, dificilmente você conseguirá ter assunto com o gato dos sonhos, o mais lindo da balada, se você não for confiante o suficiente para se sentir calma, atraente e olhar nos olhos do rapaz, mostrando o que realmente quer dele.

No entanto, apesar de tudo isso que falei poder funcionar muito bem (como todo conselho), pode dar muitíssimo errado também! O lado ruim de ser autoconfiante demais é que às vezes você tem a certeza de que vai conseguir exatamente o que deseja e muitas vezes, não criar expectativas, não esperar nada da situação, não funciona tão bem como gostaríamos. Aí aparecem os danos: você pode sim se preocupar horrores com o resultado e se decepcionar fortemente por não ter conseguido aquilo que almejava.

Ainda assim, num outro texto meu aqui do blog já falei: não se pode ter tudo na vida. A lição é tentar seguir frente, sem perder aquela confiança adquirida, porque, embora não possamos prever as reações humanas às nossas ações, podemos tentar novamente os mesmos truques baratos (ou sofisticados) na próxima situação e obter sucesso.

A vida é feita de pequenos momentos, cabe a nós compreender como usá-los para nos impulsionar sem danificar nossa autoestima.


 

[N.D.]

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