Meio termo cansa

“Quem me machuca com a verdade merece todo o meu perdão”. A frase do escritor Gabito Nunes me faz refletir sobre aquelas pessoas que sempre estão em cima do muro. As que nunca se comprometem e tem pavor de opinar, por medo de se expor, de não agradar ou perder alguém.

Quem está em cima do muro se vê numa posição confortável, afinal, espera que outras pessoas ou a vida tome a decisão por ele. É um medo eterno de encarar a realidade e talvez ser rejeitado ou criticado. Digo mais: de sair da zona de conforto. É querer manter a política da boa vizinhança, de estar bem com todo mundo. É o lado narcísico pedindo pra ser querido por todos. Mas isso cansa.

É cansativo conviver com pessoas que não se arriscam, não se expõem, não ousam, nem sequer esboçam um palpite. Que não dizem a verdade por medo de machucar ou medo de se envolver.

Fugir do assunto é covardia. Assim como não assumir uma postura e se refugiar no silêncio. Esperar o outro dar o próximo passo, para daí tomar uma atitude é umas das coisas mais egoístas que alguém pode fazer.

O meio termo cansa porque a pessoa não está nem lá nem cá. Ela tem medo de dizer a verdade e arcar com as consequências. Então, se arma de desculpas e palavras vagas. E deixa a batata quente no colo do outro. Deixa rolar pra ver no que vai dar. Fica na passividade. Porque dessa maneira, ela nunca será culpada. E sempre vai soltar um: “Você ficou porque quis”. “Você foi embora porque quis”. “Se envolveu porque quis”. O meio termo nunca assume a responsabilidade.

Ou é ou não é. Meio termo não. Meio termo brocha. Desanima. Meio termo é morno. E uma vez morno, a não ser que você corra pra ligar o fogo, a coisa esfria.

[M.B.]

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