Mães imperfeitas

“Sábado e domingo são os únicos dias inteiros que você tem para ficar com o seu filho e você vai sair sem ele?” Escuto isso direto quando resolvo me dar um dia de presente para fazer o que eu bem entender. Sou mãe, mas sou humana. Amo meu filho, mas ainda bem, me amo também. Já pensou que loucura deixar de viver para si? Imagine-se vivendo em única e exclusiva ordem de outrem. Onde fica a cor da sua história? Como você também vai levar cor a história do outro? Se nós temos que dar o exemplo, que sejam exemplos reais, da vida como ela é, imperfeita como nós somos.

Ao mundo lá fora você nem sempre será o privilegiado, nem sempre será o primeiro a terminar lição, tão pouco a ganhar todos os jogos escolares. Por que em casa seu filho nunca pode perder? Por que em casa seu filho nunca pode esperar? Agradar sem limites, blindar a todo custo o seu pedaço fora do corpo. Assim fica difícil transmitir que o cotidiano é feito de concorrências, que ninguém é invencível, e por mais que nós queiramos isso mesmo, sabemos que na prática não é assim. Não estamos os protegendo, não estamos os preparando. Criamos, sem noção, filhos que só conseguem enfrentar os próprios pais quando não se cumprem suas vontades. Mas e a luta diária cheia de leões? Como fica mesmo?

Então você nunca mais saiu para jantar a dois. Como vai ensinar seu filho o que é amor entre duas pessoas que não seja o maternal? Recusou aquele convite para dançar, que bem se sabe, ia renovar suas energias. Como desvincular da barra da sua saia quando chegar a vez dele sair e se divertir também? Não leu mais aquele livro, não foi a igreja porque ele ainda é de colo e pela idade não consegue assistir ao culto todo sem chorar. Não foi a praia que você tanto gosta, porque seu filho não suporta a areia entre os dedos. Não jantou porque ele não saiu do seu colo. É uma rotina de nãos que você deseja repassar aos seus filhos?

Somos carnais. Não viramos deusas pós maternidades. Não há mal nenhum em diversão cumprindo as responsabilidades. Vida saudável, mães felizes, realizadas, com sonhos, com medos, com incertezas, com acertos e muito carinho para dar sem precisar negar o que as faz feliz também. Histórias reais porque nossos filhos não viveram no eterno faz de conta da mamãe que tudo é lindo.

Feliz dias das mães suas lindas! Mulheres legítimas, mulheres que erram, mulheres que amam, mulheres que acertam, mulheres de fibras, mulheres cheias sentimentos controversos, esposas, amigas, trabalhadoras e que ganharam um motivo a mais para serem cada vez melhores em tudo isso… Serem mães!

 

Ao Enzo meu amor, com carinho.

[T.M.]

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