Ignora a astrologia e fica comigo

Eu sabia que nossos signos não combinavam. Tive certeza quando você me respondeu aquela mensagem dois dias após o envio. Fiz nossa sinastria amorosa num site de astrologia. Mas eu continuei mesmo assim, porque a insistência faz parte do meu ascendente e o dedo podre é culpa minha lua.

Permanecemos nos entrelaçando, ignorando os astros, as estrelas e os avisos. Fixados na ideia de contrariar a astrologia, a numerologia, a sociologia e a filosofia, mantivemos o ritmo, os risos, os passeios e as cervejas.

Eu tenho ascendente em problema, você em organização. Minha lua é em Bourbon 12 anos, a sua é em caipirinha de saquê. Plutão está pra mim na casa das viagens, a sua está na compra da casa própria. Vênus me coloca perto do mar, a sua pede que trabalhe até mais tarde.

E cada vez que você responde algo que eu não esperava, ou que eu atravesso o assunto e você perde a paciência. Cada vez que alguém “não prestou atenção” no que o outro disse. A cada nova “1 hora de atraso”, a gente se dá conta de que talvez ignorar o mapa astral não seja a melhor coisa do mundo.

Mas quando a gente se beija, sério, fazemos as estrelas explodirem até criar um novo mapa que sirva pra nós dois. Quando a gente faz piada sem roupa, se beija e goza, os astros se escondem e as previsões caem por terra. Porque não há sinastria no mundo que diga que a gente não pode dar certo.

Não me interessa seu ascendente, sua lua e seu Sol. Não faz diferença meu ano de nascimento, a hora e o local. Porque quando a gente se encaixa, o universo se reorganiza pra nos acompanhar.

 

[J.S.]

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