Haja paciência para lidar com os fofoqueiros de plantão

Se você vive ou viveu em uma cidade pequena sabe que algumas coisas são difíceis, como a fofoca. E isso vem muito antes da internet e das redes sociais. Diria que é algo cultural.

Porque (desculpe o clichê), se em grandes cidades você é apenas mais um na multidão, no interior não. Sua família importa, seu sobrenome mais ainda. Sua casa, carro, bairro, e, principalmente, estado civil também importam.

Sabe aquela tia que te encontra nas festas de família e pergunta se você está namorado? Se a resposta é positiva a pergunta muda de estágio para: “Quando vai casar”?  E se você já casou, a pergunta é óbvia: “Quando terão filhos”?

Pois é, a diferença é que a tia você encontra poucas vezes durante o ano. Um sorriso amarelo aqui, outro ali e mais um pouco de jogo de cintura salvam a situação e não chateiam muito. Mas na cidade pequena é como ter centenas de tias cuidando da sua vida 24 horas por dia, sete dias por semana.

E o estado civil não altera o fluxo da fofoca. Veja:

Na solteirice (livre, leve e solta): Vão dizer que você não quer nada com nada, que está sempre na balada, que indo sempre na balada não vai encontrar ninguém. Mesmo que você esteja feliz estando sozinha e sendo a sua melhor companhia. Mesmo que a vida esteja tranquilíssima. Solteira = encalhada.

Namorando: Saiu da categoria encalhada, mas a fofoca continua. Porque agora serão duas pessoas “pra tomar conta”. Coitada (o) de quem sair um dia sozinha (o) para tomar um chopp com os amigos. No dia seguinte o parceiro (a) é bombardeado com informações (mesmo que não tenha perguntando absolutamente nada aos fofoqueiros de plantão).

As pessoas têm necessidade de comentar (e não basta comentar, precisa palpitar). Pensam que se você está num relacionamento aí virou siamesa. Os dois viraram um só e não tem mais vida própria. Precisa estar grudado o tempo inteiro. E se você é vista sozinha já deduzem uma briga, traição ou algo assim. Se estiver conversando com alguém do sexo oposto, aí chegamos ao auge dos comentários! “Certeza que fulano estava xavecando, ele nunca prestou mesmo”!

Haja arruda, pimenta, olho grego, vaso de sete ervas e sal grosso. Não é olho gordo, é olho obeso!

Você vai tomar um café e quando chega em casa, sua mãe já sabe todo o itinerário que fez e com quem conversou. E nem foi por causa do check in nas redes sociais. Foi porque alguém te viu, encontrou com sua prima no mercado, que, sem querer, só comentou pra sua tia, que ligou pra sua mãe. Privacidade pra que, né?

Imagina aqueles que acabaram de terminar um relacionamento. Aí é preciso um tempo para se adaptar. Os mais corajosos colocam a cara na rua e enfrentam os olhares e comentários alheios. Para aqueles que se importam, melhor ficar um tempo longe e tudo e todos e esperar a poeira abaixar, até os fofoqueiros encontrarem outra criatura pra servir de alvo.

Porque é mais cômodo comentar a vida alheia do que resolver os próprios problemas e olhar o próprio umbigo. Tanto gato por aí precisando ser adotado! Imagina quantas vidas pra cuidar!

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