Geração X, Y, Z ? – Não! Somos a geração “quebrou? joga fora!”

Lembra quando, antigamente, o acesso às coisas era bem difícil? Havia loja de manutenção de quase tudo. 

Eu me lembro de ter um boneco de pano, um boneco que simulava uma criança e que eu amava mais do que tudo. Eu lembro até hoje do cheirinho que ele tinha, e de como eu ficava feliz em poder dormir abraçada com ele.

Uma vez o boneco Juca sumiu. E eu chorei copiosamente. “Tivemos que levá-lo ao médico” minha mãe dizia. E isso aconteceu por mais de uma vez, afinal eu jogava o coitado para todos os lados. Mas cada vez que ele voltava, Deus, eu esperava no portão de casa. E a sensação de ver o

Juca voltando inteiro e sorrindo, era incrível. Era como se eu o amasse cada vez mais. Mesmo sendo apenas um boneco.

Então eu fui crescendo e o acesso à coisas novas aumentou. E a minha mãe que antes levava o boneco para o médico, passou a usar outras palavras para definir alguns eletrônicos. “Filha joga isso fora, a gente compra um novo.” E eu já não sabia mais o que valia a pena consertar ou não.

É assim que eu vejo uma geração inteira de pessoas estabelecendo conexões por aí. Me incluo nisso, infelizmente. A gente tenta consertar o que não tem conserto. A gente joga fora coisa nova, sem nem dar chance de aprender a lidar com a coisa em si.

Somos a geração “quebrou?, joga fora!” e está cada dia mais difícil diferir o que vale ou não a pena consertar.


 

[L.M.]

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