Filosofia de nós dois – Do boteco à cama

Eu estava pensando em coisas e pessoas. Em como deixar as coisas para as coisas. Como deixar as pessoas para as pessoas, as palavras para as palavras e as ações para as ações.

Não entendeu?

Não adianta eu te prometer um barco de papel, se nunca te fizer um barco de papel. São coisas, e elas precisam ser coisas e não promessas. Igualmente o futuro de nós dois. Não posso te prometer ficar aqui pra sempre, porque se eu morrer amanhã você vai culpar a promessa e as palavras.

Então eu vou tentando sobreviver e ficar com você. Isso é ação. Eu deixo que as ações falem por si só.

A vida é um lugar estranho. Hoje mesmo contei as pintas do seu braço e jurei pelos céus, se eu ligar aqueles pontos, tem um dragão escondido ali. Isso são pessoas sendo pessoas. Você e eu, coexistindo e se descobrindo na sombra do Sol forte que nasceu no meio do inverno.

E as palavras?

Elas são a construção desse texto, da coerência de nós como seres habitantes de um mundo repleto de gente, coisa e palavra, mas com pouquíssima ação.

Então todos esses pontos juntos, de forma moderada e equilibrada, só precisam de um pouco de cor pra tudo fazer sentido. A música, a melodia e a coloração ideal, de uma vida que está longe de ser fácil, mas também está bem longe de ser ruim.


[J.S.]

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