Eu não quero criar meus filhos com alguém que vota no PT

Ele me disse isso um pouco antes de terminar, por questões políticas, um relacionamento fadado ao fim. O que ele pensou? Que eu vestiria meus filhos de vermelho e os ensinaria a falar espanhol e gritar “Lula eu te amo?”.

Voto é secreto, mas opinião política é popular. Tão popular que, hoje em dia parece um Palmeiras e Corinthians dos velhos tempos, com panelas na janela ao invés de bombas.

E não deu tempo de dizer pra ele que eu não sou petista não. Eu só sou contra panelas na sacada gourmet, programas de inclusão da classe média na classe alta e manifestação de gente que anula o voto e vai pra praia.

Não deu tempo de dizer pra ele que eu acho tranquilo ele não gostar do PT, e acho legal ser contra a corrupção. Inclusive a corrupção que ele faz quando forja a carteirinha de estudante pra pagar meia naquele show caro de rock no estádio do Morumbi. Ou aquela vez que ele não avisou o caixa do mercado que devolveu o troco errado, e saiu feliz dizendo que “ganhou dez reais”.

E ele terminou e foi embora rápido o bastante pra eu não ter tempo de dizer que eu não era petista, nem esquerdista e muito menos comunista. Nem tive tempo de dizer que adoro cidadão com consciência política formada, gente instruída que sabe o que tá falando e que não repete o que os jornais ou as fofocas dizem. Gente capaz de criar as próprias teorias e gente com capacidade cognitiva de entender a diferença entre, pelo menos, os três poderes.

Mas ele terminou comigo dizendo que não criaria os filhos com alguém que vota no PT. E eu nem tive tempo de dizer…

Não quero ter filhos.


 

[Luciana Meningue]

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