Encontre alguém com quem você se sinta confortável

Minha sobrinha menor tem um livro chamado “Cachinhos dourados”. Para quem não conhece trata-se de uma menina que entra na casa de uma família de ursos. A menina dos cachinhos dourados não gosta da cadeira do pai porque é muito grande, nem da mãe porque é muito pequena, mas gosta da cadeira do filho porque encaixa perfeitamente.  No desenrolar da história o mesmo acontece com a comida ora quente demais, ora fria demais, e a do filho está na temperatura que ela gosta.

Não tem nada de romântico na história que minha sobrinha arrasta pelo chão embaixo do braço pequenino. Mas vi uma certa semelhança entre a história da cachinhos dourados e as relações entre casais. E de onde veio essa relação? Acredito que a ideia seja muito simples, entenda:

A base principal da procura incessante pelo ‘outro’, é basicamente encontrar algo com o que você se sinta confortável. Nem muito quente a ponto de correr riscos altos demais. Nem muito frio, para não sofrer com o let it go estilo princesa Elsa (frozen). Nem grande demais, pra não sobrar espaço. Nem muito pequeno, apertado, sufocante.

Nós procuramos encontrar uma relação em que o encaixe seja natural, uma história em que ninguém esteja mais ou menos nada. Parceria, companheirismo, poder ser você mesmo. Não ter medo de acordar sem maquiagem, não ter medo de ter TPM, não ter medo de parecer meio bobo, meio idiota. Cantar desafinado, tropeçar no passo de dança, sorrir de graça.

Isso não tem nada de romântico, nem de intenso. Não é um filme baseado na obra de Nicholas Sparks, não tem frase feita. É uma constatação. As pessoas buscam relações que lhes permitam ser dois sem deixar de ser um, inteiro, completo, com desejos e aspirações particulares. Procuram relações de respeito, carinho, desejo e atenção de forma totalmente proporcional, cabível e compatível.

Quer saber qual o gosto disso? É a mesma sensação que o corpo libera quando você bebe um copo de suco fresco após sentir sede. É refrescante, leve, natural.

E o melhor? Ninguém precisa ficar sabendo.

[ Luciana Meningue ]

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