Divisores de águas, sobre como a vida traz pequenos presentes

Tem dias na vida que são divisores de águas. Hoje foi um deles para mim.
Aquele dia em que você se liberta de uma amarra do passado e descobre que o pior já foi. Descobre que apesar dos problemas a vida não vai tão mal assim e o que está ruim vai mudar e vai melhorar.

Percebe que problema todo mundo tem (a famosa frase clichê, mas que nestas horas faz tanto sentido) e que você só tem que ter paciência e lidar com os seus.

Dias divisores de água são aqueles em que você faz algo que há muito tempo almejava e não tinha em vista quando ia acontecer, coisas que nem sempre estão sob seu controle ou que muitas vezes mesmo você se esforçando para conseguir, elas demoram para chegar.

Seja uma bolsa de estudos, a primeira viagem internacional, uma superpromoção no trabalho ou entrar pela primeira vez no apartamento recém-adquirido. Estas coisas são parte de um repertório muito mais amplo que não se esgota nos grandes feitos, mas engloba também atividades corriqueiras: aprender um novo esporte e perceber que você o adora, mudar de faixa no karatê, sair com aquele gatinho tão almejado, sentir o cheirinho de novo do último livro que comprou, aprender uma palavra nova no seu idioma preferido, ou então, perceber um belo dia que você entende bem aquela língua! São as pequenas conquistas cotidianas.

São elas, mais do que as grandes conquistas, que dividem as águas da vida: as grandes são como ondas enormes, que batem nas pedras e mudam tudo ao redor, te dando assim um novo começo. Já as pequenas são como um sopro de ar fresco misturado com o sal do mar, trazendo um pouco de esperança e mudança naquela rotina já batida.

Estes dias de pequenos prazeres e conquistas espantam qualquer mau humor, trazem de volta aquela esperança de que um dia sua vida será o que você sempre quis e trabalha para que seja. Dividir águas nas nossas vidas são pequenos milagres e que dão força, pois sem eles nunca seguiríamos em frente.


 

[N.D.]

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