Devaneios, confissões e fôlego

Dia desses tropecei em uma garota, quase que literalmente. Cheguei no ambiente trançando as pernas, me sentei meio que quase caindo e o olhar dela foi o que me segurou. Naquele dia descobri que não valia mais a pena ser aquele meu velho eu.

O tempo passou antes que eu pudesse contar, e aparentemente não posso mensurar, mas se fosse semente já teria germinado. Se fosse uma gestação canina, os cachorrinhos já estariam crescidos e comendo chinelos. Se fosse uma gestação humana, quase estaria dando risadinhas no berçário. Se fosse a fila do SUS talvez já tivesse acontecido a tal consulta – ou não. Se fosse jurídico estaríamos no mesmo lugar. Se fosse impeachment do Temer também.

Mas era amor. E pra nossa surpresa ainda é, e cada dia é mais um pouco de amor com beijo de sorvete e fragrância de baunilha. Porque baunilha é sempre minha primeira escolha de incenso, acalma os ânimos. Faz nossa casa parecer mais doce. Faz a gente acordar com saudade mesmo tendo dormido junto. Faz o tempo ser nada além de um espaço entre piscadelas, sorrisos, lágrimas e passado.

Parece devaneio meu, mas a linearidade das relações é praticamente inexistente quando se trata de amor. E isso a gente também aprende no caminho. Mas quando é que a gente sabe que é amor? Quando falta o ar! Tomo a liberdade de parafrasear uma amiga que diz “a gente respira melhor quando a pessoa está por perto”. Melhor ainda quando está feliz e a salvo do mundo. Respirar fundo, respirar aliviado, respirar relaxado. Respira e pensa, respira e se inspira, respira e lembra. Lembra que o tempo se torna melhor amigo da memória cada vez que a gente tenta se lembrar quando foi que tudo começou, num tropeço, na mesa de um bar, numa noite qualquer.

Em um ano que ninguém dava nada, a gente deu certo.

[J.S.]

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