Desnudando a dor do amor – piegas, mas verdadeiro

Parece título de música brega, nome de poema do romantismo ou novela mexicana. Mas é só o título de mais um texto no qual tive que tirar umas coisinhas do coração. Assim, vou encher vocês, queridos leitores, de perguntas e meias respostas para deixar a alma mais leve. Vou usar este espaço para dividir ideias que mais parecem refrão sertanejo ao melhor estilo “estou casando, mas o grande amor da minha vida é você”. São confissões cotidianas.

Vamos às dúvidas: Por que, quanto mais velhos somos, mais sofremos quando um amor não dá certo? Por que dói tanto perder alguém? Qual o motivo de querer se enfiar num buraco quando aquele gatinho não corresponde em nada o que você sente?

Quando era adolescente sofri calada um pé na bunda do amor da minha vida e o vi me trocar pela minha melhor amiga. Como se não bastasse, ele ainda a namorou por alguns anos.

Doeu fundo e forte, fiquei sozinha no quarto escuro ouvindo Nirvana (ah, os anos 90). Lembro da intensidade da dor.

É aí que eu queria chegar. Depois daquilo, fui uma moça bem vacinada das dores amorosas por um bom tempo, uma eternidade que durou 14 anos. Eu sofria um dia, dizia “nunca mais a partir de amanhã” e seguia em frente, emendando relacionamentos uns nos outros.

Ao ficar mais velha, comecei a tomar consciência real do que eram aqueles sentimentos que doíam tanto. Entendi que o que eu fazia para não doer era anestesiar com outro amor. Entendi também que doía tanto perder alguém porque você passa a habitar um mundo que não é seu por algum tempo quando e essa divisão de valores, vidas, rotinas, faz de vocês um pedacinho um do outro.

Consciência. É justamente isso que me difere daquela garota de 15 anos que chorava descontroladamente pelo primeiro grande amor. No entanto, é também o que me faz ter a dor profunda em comum com a adolescência. Pois, quanto mais tenho noção do mundo que perdi no outro, do meu pedaço que foi embora, mais sinto dor.

Por isso, acredito que sentir forte e profunda a dor de um amor em pleno os 20 e muitos ou 30 e poucos, e daí por diante, é tão válido, tão forte e tão intenso quanto sofrer na adolescência.

Você agora, querido leitor, crescido, maduro e vacinado, sabe o que está perdendo quando aquela pessoa que você gostava tanto vai embora de uma vez da sua vida. Então, volta àquela dor da adolescência, mas por um outro motivo: o que antes era desespero pela perda, hoje é consciência da perda.

Sempre me lembro do dia em que, aos 20-e-quase-nada um namorado terminou comigo e eu inocentemente o questionei: “E eu nunca mais vou te ver?” e ele retrucou com um seco “Não”. A pergunta inocente não existe mais, mas o sentimento daquele “não” ficou para sempre, em cada um dos términos, despedidas e rejeições.

 

[N.D.]

Comments

comments