Descrença na humanidade?

“-Eu costumava acreditar no destino, sabe? Ia a uma loja de rosquinhas e via uma garota na fila, lendo meu romance favorito, assobiando a música que esteve em minha cabeça a semana toda e penso, ‘Nossa, talvez seja ela.’. Agora penso, ‘Sei que essa vadia vai pegar a última rosquinha integral’

-Você só esteve focado no trabalho.

-Não, é mais que isto. Parei de acreditar. É que, todo dia, acho que acredito um pouco menos, e um pouco menos. E isso é uma droga.”– episódio 7×1 de How I Met Your Mother.

“Aqueles que já estão casados, todos menos um, viverão. O restante se manterá como está.” – Hamlet, Ato 3, Cena 1, Página 6  de William Shakespeare.

Nos últimos dias não consigo parar de pensar nestas passagens. Quem aí que está solteiro, passou por uma, duas ou infinitas desilusões nunca concordou com estas citações?  A literatura está cheia delas, nós estamos cheios delas…

Na verdade eu nem preciso ir muito longe. Nem passei por uma desilusão amorosa completa, foi uma semi-desilusão. Assim como o Ted de How I Met Your Mother, eu costumava ser uma romântica. Continuava acreditando no amor e na história do Moulin Rouge: “A melhor coisa que você aprenderá é simplesmente amar e ser amado em retorno”, mas será?  Será mesmo? Hoje já não sei. Não piso em falso, não me permito acreditar em relacionamentos.

Assim como Hamlet disse para a pobre Ophelia, os que já  estão comprometidos que fiquem assim, não é problema meu, mas o resto vai ficar sozinho, vivendo uma solteirice desvirtuada e maquiada. Amor? Não sei. É muito mais fácil fugir dele ou desacreditar dele.

Passei de romântica assumida para desacreditada na humanidade. As possibilidades de algo ser para sempre ou ser de verdade são conceitos não aplicáveis à realidade. Por que…Será?  Será mesmo? Vivemos numa idade e em uma época em que a maioria dos amigos a nossa volta namoram desde os 15 anos e estão se casando e tendo filhos. Quem não encontra-se nessa posição está sofrendo ou profetizando sobre alguém que claramente não os merece. Ou ainda há os que estão aceitando o que tem porque claramente é  a realidade que conseguem enxergar.

Os contos de fada não existem. Óbvio, se nem em romance eu acredito imagina em príncipe encantado. É mais provável que eu jogue spray de pimenta na cara dele e diga que é um mentiroso compulsivo, do que acreditar em sua idoneidade.

Será que estamos vivendo na era do desamor? Da descrença? Se apaixonar e deixar levar se tornou tão perigoso em nossas vidas corridas da cidade que simplesmente escolhemos desacreditar nas possibilidades?

Meu coração deixou de ser uma metáfora e neste momento é apenas mais um órgão vital.

Será? Será mesmo?


 

[M.R.]

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