Desconstruindo você

Será que eu te inventei?

Eu te admirava. Adorava papear com você, por horas, sobre qualquer assunto. Gostava de ouvir seus discursos. Você sempre dizia sua opinião com tanta convicção e com tanta paixão, que muitas vezes eu me rendia aos seus comentários e te apoiava, mudando minha forma de pensar.

Você batia no peito pra defender o que acha certo. A sua ética. Os seus valores. O verdadeiro HOMEM, não um moleque. Eu me orgulhava e secretamente agradecia por ter encontrado alguém assim, tão especial. Tão corajoso. Que não tinha receio de se expor e não se importava com a opinião alheia. Tão diferente nesse mar de seres com pensamentos iguais. Onde homens continuam se comportando como meninos.

Seu discurso realmente convencia…

Mas, depois que o relacionamento termina e a gente não precisa fazer mais nada para agradar quem um dia esteve ao nosso lado, as máscaras começam a cair. E como num estalo, como num despertar de um sono profundo, quando acordamos no susto, a realidade veio me visitar.

Hoje olho pra você e não te reconheço. Não faço ideia de quem você é. Observo suas atitudes e elas não condizem com a pessoa que conheci. Será que a culpa foi minha em desejar que você fosse diferente dos outros? Minha lente estava destorcida e só hoje com a distância enxergo melhor as camadas que criei? Estou aprendendo a tirar uma a uma. E sabe o que é mais triste?

Eu já sei que, quando terminar, não sobrará nada.


 

[MB]

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