Descobri que a vida acontece mais rápido para quem tem pressa

Domingo, dezembro, dez horas. Acabei de ler uma matéria da Super Interessante de janeiro de 2011, explicando a teoria de Einstein que define que “quando a sua velocidade aumenta, você corre em direção ao futuro mais rápido do que quem está parado”.

Dez e treze. Bato três vezes a caneta com a mão direita no canto do notebook. Eu e essa minha mania de segurar a caneta até mesmo quando uso o computador. Li a matéria duas vezes, precisava me certificar antes de ter uma síncope. Tenho a nítida impressão de que se eu tivesse lido essa matéria antes, talvez você estivesse comigo agora. Talvez eu tivesse corrido no teu ritmo, te encontrado antes da hora.

Dez e quarenta. Nada aqui faz sentido. Se a teoria diz que quem está mais rápido chega antes no futuro, será que eu posso correr agora e te alcançar no momento exato que você decidirá partir pra sempre? E talvez ganhe mais tempo contigo?

Onze horas. Quero tocar suas mãos, dizer que vai ficar tudo bem e te ver dormir. Impossível. Embora a noção de tempo seja relativa, a de espaço talvez não seja relativa o bastante para impedir os 650km que nos separam agora. [ Fiz o cálculo de quilometragem me baseando na quantidade de vezes que daria pra ir e voltar desde a última vez que você me ignorou].

Onze e vinte e cinco. Meus olhos estão começando a ficar cansados. Já desliguei o computador, encostei a caneta no bloco e estou tentando, sem sucesso, memorizar tua voz mais uma vez dentro de mim. Antes que o futuro leve isso também.

Onze e cinquenta. Penso em analgésicos, na dor que eu sinto quando não te sinto perto, na distância e no futuro. Queria poder correr pra trás agora. Voltar e ficar, segurar o futuro nas unhas e impedi-los de me arrancar você. Inércia.

Meia noite. O cansaço me alcançou mais rápido que o destino. O futuro, agora, passa a ser relativo. E eu me imagino ao teu lado, eternizado por um sonho curto, intenso e aconchegante. E durmo.


[J.S.]

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