Desapegue – Não leve seu passado para passear

Acordei e me dei conta de quanto tempo já passou. Num esforço inútil, tentei lembrar algumas coisas, mas muitas memórias já se foram, como o número do seu telefone. E posso confessar? Foi um alívio! No início, antes de dormir, me pegava refazendo tudo. Cada conversa, cada briga, assim como os momentos bons. Tinha medo que as lembranças se apagassem, evaporassem.

E foi o que aconteceu. Elas evaporaram, assim como as lágrimas cessaram. Juntei os cacos, as lágrimas, fotos, presentes e bilhetes. Cada coisa que me lembrava você. E hoje, como último ato, para encerrar o ciclo definitivamente, doei a jaqueta que você me deu. Foi o primeiro presente, e o que mais usei.

Levava a jaqueta pra todo o lugar, como se isso trouxesse para o agora, algo que já havia deixado de existir há muito tempo. Em cada centímetro, em cada linha do tecido ficou um pedaço meu, seu, de nós dois.

Mas agora se foi. E é necessário esse deixar ir. Cada coisa no seu tempo. Porque agora é preciso abrir espaço, tanto no guarda-roupa, como no coração. Para novas histórias, novos amores e novos presentes.


[ M.B. ]

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