Depressão pós final de semana perfeito

Esse termo eu uso quando as coisas estão bem, quando você passa um final de semana inteiro sorrindo e chega a segunda-feira lembrando que não dá pra ser feliz o tempo todo.

Sexta-feira, 20horas. Começou o meu período preferido da semana, o final de semana. Ela me recebe com bico, teve problemas em casa. Semáforo fecha, tira o bico pra me beijar, esse é o consolo dos problemas, saber que sempre vai ter alguém pra tirar o bico nas horas mais difíceis. Um suco, uns petiscos e logo estamos entre gargalhadas, esquecemos o mundo lá fora. O garçom fura o bloqueio, mas nada pode mais tirar nosso humor, o final de semana começou. Partimos pra casa, mais dois dias juntos e com muita – quando se trata dela nada é pouco – muita coisa pra fazer.

Relógio desperta a gente mais cedo no sábado, ela sente dor mas não reclama, eu conheço seu sorriso murcho de cólica. A chuva aperta, o metro aperta, o centro de SP aperta. Seguimos de mãos dadas, ela embaixo de mim como se eu pudesse realmente protegê-la do mundo. Eu tento, eu posso, eu vou.

Acordar cedo, dormir tarde. Rotina que não muda nem aos finais de semana. Acordo de um pesadelo, sonhei que a perdia, ela estava ali. Sorria pra mim com ar de “bom dia”, e o dia começou realmente bom. Reprimo o choro, o medo, e a gente troca beijos de quem não quer se largar, nunca mais. Acordar, tomar café, atravessar as cidades, chegar a tempo. Voltar, cancelar os planos chatos, desviar o caminho e sentar no bar. Sentir o Sol trazer a energia que precisamos pra recomeçar a semana, a cerveja pra relaxar, comida boa, paz. Sensação de que nada nem ninguém pode tirar a gente do caminho, sensação de que com ela eu iria pra qualquer lugar. E vou.

[J.S.]

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