Dedo na cara do outro é carinho

Já reparou que, quanto mais você se envolve com uma determinada religião, mais tem gente para enfiar o dedo na sua cara e dizer que você está indo pelo caminho errado? Você começa ir na igreja evangélica, tem que ser santo. Você frequenta a católica, tem que ser casto. Se vai na macumba tem que ser rico, se é budista tem que ser zen.

Por que as pessoas acham que os frequentadores de uma religião precisam necessariamente ser a representação de Deus na Terra acima de qualquer coisa? Antes de tudo somos humanos, antes de tudo somos feito de defeitos e superação.

Costumo dizer que religião é igual roupa, a que cabe em um não cabe no outro, não satisfaz, fica largo/apertado, estranho. Se existisse uma religião que coubesse bem em todos, não haveriam tantas guerras, tantas brigas, tanta queda de braço. Em nome de um deus maior, cidades inteiras já foram dizimadas desde os tempos do Rei Davi até os dias de hoje. E a intolerância diante das práticas religiosas é o que há de mais abominável entre os praticantes de uma e outra.

Outro dia soube de um comentário como “ai esse lugar que você frequenta não é bom, você vive com problemas”. Não foi diretamente comigo a afronta, eu mesma teria entrado numa discussão ferrenha a respeito. Seria de pronto responder algo como “Na vida tereis aflições mas tende bom animo Eu venci o mundo!” João 16:33 – e se encontrar alguma religião que não te permita ter aflições na Terra, muito provavelmente você estará diante de um caso grave de não evolução. O que quero dizer? A religião deve necessariamente nos religar a parâmetros além do que enxergamos, a seres superiores, a novos aprendizados. Se você passa pela vida sem enfrentar as dificuldades, vai chegar no final sem tem crescido absolutamente nada no caminho.

É permissivo diante de qualquer religião que você tenha acesso a formas de como evoluir, ser uma pessoa melhor diante das dificuldades, com fé, com estudo, dedicação, doutrina, comprometimento.

Religião não define caráter. Já vi muito ateu fazendo caridade, muito religioso fazendo maldade. Não seja a pessoa que aponta o dedo, seja a pessoa que aprende tudo o que puder, sobre tudo o que for bom.

E seja bom.

[Luciana Meningue]

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