Dedique-se à rosa certa

“Não é o tempo nem a oportunidade que determinam a intimidade, é só a disposição. Sete anos seriam insuficientes para algumas pessoas se conhecerem, e sete dias são mais que suficientes para outras.”

Jane Austen, Razão e Sensibilidade

Hoje é 12 de junho e no Brasil comemora-se o dia dos namorados, um dia antes do comemorado dia de Santo Antônio (o santo casamenteiro). Fiquei por dias postergando o momento em que escreveria sobre esse dia, fiquei procrastinando a escrita e tentando achar autores com maior embasamento. Meu romantismo foi pro saco no dia em que eu conheci meu atual amor, todas as minhas teorias e formas de demonstrar amor caíram por terra no exato momento que eu vi que esse amor seria diferente de tudo o que vivi.

Hoje pra nós não existe jantar de namorados, não existe comemoração prévia, não existe marcar nada. É quando acontece, exatamente como nosso amor aconteceu. Do nada, da noite pro dia, num súbito. Um amor que nasceu do desafio de ter alguém que não queria nada com nada, um amor que nasceu da necessidade de cuidar, de proteger, de amar. Um amor que surgiu como tantos outros, mas que no dia a dia se transforma e se peculiariza (sei La se essa palavra existe, mas hoje pode).

Outro dia um amigo disse “estou há dez anos com a minha mulher, não é um ano como seu caso”. E eu dou valor ao tempo de cada um sim, respeito, admiro inclusive. Relacionamentos são difíceis, mas você acha mesmo que o tempo determina o quanto você conhece outra pessoa? Olhar nos olhos, prestar atenção, decorar gestos e reações… é o carinho que você desprende à um determinado trabalho que fará dele uma obra de arte ou um lixo. Dez, vinte, mil anos não farão diferença se tua arte não tiver amor. E no relacionamento não é diferente.

“Foi o tempo que dedicastes à tua rosa que fez tua rosa tão importante.” [Antoine de Saint-Exupéry]

No livro “O Pequeno Príncipe” um jovem principezinho sai em busca da rosa única em outros planetas e no meio da jornada descobre que a rosa mais bela, a rosa única sempre esteve com ele em seu planeta. Para quem desconhece a história real do livro Saint-Exupéry fazia alí um méa culpa e a rosa em questão era sua esposa. “Foi o tempo que dediscastes” – dedicação, atenção, carinho são coisas totalmente diferentes do costumeiro “presente” que trocamos nesta data, muitas vezes por obrigação e não por verdadeira dedicação.

Neste dia dos namorados dê mais do que flores, presentes ou grandes demonstrações, entregue a alma. Entregue-se por inteiro e receba do outro a verdade, a transparência e a profundidade tão raras na nossa atualidade.

Feliz dia dxs namoradxs

[Editorial Confissões Cotidianas]

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