De repente adulta

Hoje eu acordei com 30 anos. Espera aí: mas já? Ontem eu não tinha problemas, ou se havia algum, era do tipo: não estudei para a prova, se eu pegar DP meu pai vai me matar! Aí as coisas começaram a parecer mais difíceis. Nossos pais nos pedem conselhos e vemos que eles são de carne e osso, e pior, mortais.

A preocupação com a saúde aumenta, na mesma medida que a preocupação com o dinheiro. Temos dores em lugares nunca antes pensados. A cadeira do escritório é incômoda e as horas na frente do computador realmente cansam os olhos.

E as contas? Parecem que brotam como as pragas em um vaso de flor. Se eu comprar aquele sapato, vou ficar sem jantar no restaurante do tal chef famoso que saiu no site. Qual site mesmo? É… a memória também já não é mais a mesma. Junto com os 30 vem a crise. Percebemos que já não nos encaixamos mais em certos grupos (chás de bebês e aniversários de criança são um bom exemplo). A turma super unida mostra-se não tão unida assim.

Tenho uma teoria de que a maioridade não acontece aos 18. Acontece aos 30! Antes disso tudo é festa. Tudo se resolve rapidamente. E a maioria dos problemas tem solução. Agora enfrentamos outras questões. Como curar a dor de um amor? Como emagrecer? Como ganhar dinheiro (e como guardar dinheiro)? Como trabalhar com o que se gosta? Como ter mais horas livres? Como não se importar com a opinião alheia? Como acreditar nos livros de auto-ajuda? Como lidar com a rejeição, seja ela de qualquer tipo?

Ninguém me disse que aos 30 eu teria que procurar um terapeuta. Ninguém disse que ouviria tantos “nãos”. Nem que algumas pessoas não gostariam de mim (mas por quê? Sou tão legal!). Nem que a noite seria a pior inimiga, porque nessa hora a imaginação fica (mais) fértil. Ninguém disse que seria tão difícil se conhecer. O que eu quero? Quem sou eu? Caso ou compro uma bicicleta?

Pode parecer um texto pessimista. Mas não é. Somos isso: nossas neuroses, desde as mais simples às mais estúpidas, como num filme de Woody Allen. Pra mim os 30 são um teste. Se sobrevivermos a isso estaremos preparadas para mais 30, depois mais 30…

Se isso te consola, como disse uma amiga: estamos todos no mesmo barco! Um barco à deriva! Quando os ventos chegarem, que soprem a nosso favor!

 


[ M.B. ]

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