Crítica: Nine – Um musical felliniano

Queridos leitores, hoje eu gostaria de confessar a vocês a minha crise existencial assistindo à versão brasileira do musical Nine. Eu assisti a versão hollywoodiana em 2011 e me apaixonei pelas músicas. A história não é realmente muito rica, sendo que o enredo gira em torno da crise existencial e bloqueio criativo do escritor/diretor Guido Contini e de como as mulheres mais importantes de sua vida (mãe, esposa, amante, musa inspiradora, produtora, mulher-que-o-apresentou-às-técnicas-do-amor, jornalista, etc)  o influenciaram e influenciam até o momento.

Entretanto, eu espero dança, canto e atuação em bom musical, não necessariamente um romance de Jane Austen. Posso ser um pouco severa, mas dentro do meu conhecimento apesar de não ser profissional, mas como audiência (não é este o cliente de quem produz uma peça ou qualquer forma de entretenimento?), esta é a minha opinião.

O musical foi baseado na produção original da Broadway que esteve em cartaz em 1982 e ganhou cinco Tony Awards. A versão brasileira é assinada por Charles Möeller e Cláudio Botelho conta com Beatriz Segall, Carol Castro, Letícia Birkeuer, Malu Rodrigues, Mayana Moura, o italiano Nicola Lama e Totia Meireles.

Feitas as devidas introduções, minha confissão é de que eu não senti a genialidade  dos diretores, como vi em outras produções como “O Despertar da Primavera”. E sabe qual a razão principal? As atrizes “desconhecidas” eram maravilhosas, sem nada para se colocar defeito. Eram atrizes completas e que fazem valer a pena qualquer valor pago para se assistir. Por outro lado, as atrizes famosas só me fizeram torcer o nariz. Vamos dar nomes aos bois:

– Carol Castro atuou muito bem e deve ser reconhecida. No momento em que precisou desempenhar alguns passos de dança mostrou que não estava a passeio. Infelizmente a atriz não tem o dom do canto apresentado por outras, mas eu concordo que não deveria ser deixada de lado de uma carreira só por um aspecto. Mas me pergunto primeiramente quantas atrizes deixaram de “ganhar o pão” por causa de um nome?

-Beatriz Segall tem já uma idade avançada, é uma atriz reconhecida e foi absolutamente pouco utilizada nesta peça. Ela realmente não precisava cantar, embora fosse muito adequado, já que no filme conseguiram uma atriz igualmente famosa e que conseguisse desempenhar o papel completo.  Estranhei se a breve e restrita atuação seria pelo tempo, pela idade da atriz ou por que? Eles não poderiam ter investido neste momento no peso de seu nome? Percebi ao final que foi falta de espaço, já que em alguns momentos pude ver a grande habilidade da atriz.

– Totia Meireles. Neutro. Ela cantou, não maravilhosamente como os padrões não famosos, mas também não senti dor. Cantou e cumpriu seu papel. Dançou, se entregou e fez muito bem o que lhe cabia.

– Agora a jóia da coroa… Letícia Birkeuer. Querida, você é modelo e não atriz, muito menos cantora e nem me venha com dança. O que ela fez bem foi desfilar no palco. Engasgou em sua primeira fala em cena, não teve uma atuação minimamente convincente e quando chegou a vez de uma de minhas músicas favoritas, ela simplesmente destruiu. Uma samambaia teria feito melhor. Sabe por quê? Porque não se vê intenção e posicionamento mínimo que se aprende em uma escola de ballet aos 8 anos. Não entendi uma palavra do que ela “cantou”. Projeta essa voz, amiga. Me contorci na poltrona e fez com que o meu índice de satisfação e a chance de eu recomendar a peça caísse. MUITO.

Podem me chamar de maldosa, podem me chamar de crítica. Entretanto esta é minha opinião de audiência. Estou confessando meu sentimento para vocês, leitores. Quem nunca teve estes pensamentos assistindo alguma peça de entretenimento? Acredito que toda a classe artística, aquela que pena em audições, filas e se mata nas aulas de canto, dança e atuação deve sentir um aperto no peito quando vê alguém que aparenta nem ao menos tentar ser melhor. Quantas pessoas não estão desempregadas por causa de um nome? Quantas oportunidades deixam de existir? E quem é Letícia Birkeuer? O grande público realmente a conhece? Deixem só a Carol Castro que garanto que já está ótimo.

 


 

[M.R.]

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