Confissões de um amigo apaixonado: uma hora ela terá que saber

Estou pensando em ações. Meio contraditório, eu sei. Mas às vezes eu me imagino mais pró-ativo, do tipo que não fica assistindo, mas sim arrisca. Como fazemos nos sonhos.

Fico aqui imaginando que se eu deixasse de ser um completo idiota, talvez tomasse coragem. Pegaria as chaves do carro, acionaria o motor e só desligaria na porta da sua casa. Te tomaria nos braços, sem perguntar se eu atrapalho, e sem dizer nada eu te beijaria.

Quem sabe nesse mesmo momento eu pararia de pensar que você merece coisa melhor. Pararia de ser babaca e resolveria tomar coragem, fôlego e enfim te pediria pra namorar comigo. De verdade, como gente grande.

E passaria o réveillon com a sua família, o primeiro de muitos. Sem medos, sem temores. Só o começo de uma história que já teve tantos capítulos. E você, que já faz parte da minha vida há séculos, ocuparia enfim o lugar que nasceu para pertencer. Ficaria ao meu lado para nunca mais largar.

Deveria ser uma coisa natural entre duas pessoas que definitivamente se amam.

Mas a vida não é um sonho, certo? Então eu me calo. E permaneço mudo, como estou há tempos. Emudecido pelo medo de te perder. Porque eu sei que se a gente arriscar e não der em nada, eu perco além da minha alma-gêmea, também minha melhor amiga. Minha melhor parte.

E como eu sobreviveria sem você pra me mostrar o outro lado de tudo? Não quero ter que viver pra me ver te perdendo. Então permaneço mudo, temeroso e assistindo a vida te presentear com alguém que tenha menos medo de te fazer feliz.

Mas amor é isso, não é? Querer sempre que o outro seja feliz. E eu quero.


[J.S.]

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