Como superar um dia ruim

A memória é uma coisa incrível. Ela guarda o que há de ruim, mas também é capaz de nos transportar para as melhores coisas da vida. A risada de alguém que você ama, a primeira vez que tomou um porre, o primeiro beijo, aquele tombo de bicicleta que marcou sua pele pra sempre ou também um grande amor.

Chove torrencialmente e me lembrou os tempos de escola. Quando chovia assim minha mãe sempre dizia “não vai não, ta chovendo muito”. E a gente ficava em casa, com sessão da tarde, café da tarde, com tudo da tarde. Ainda consigo me lembrar do cheiro que tinha a casa da minha mãe nessas tardes, no som da voz das minhas irmãs, no calor que fazia quando a gente ficava juntinho sendo feliz.

Até hoje isso é uma lembrança que me traz paz. Algo que me lembro quando começa chover demais e o medo me açoita. Respiro e lembro das tardes em que a chuva me trazia essa traquilidade. E sinto a paz novamente.

Olhando minha sobrinha dormir tranquila, feliz e exausta de tanto brincar, com a chuva mudando o som da tarde, me lembro que a paz invade sempre que a gente deixar. E sorrio, sabendo que dá pra ser leve a vida, desde que no coração a gente, também leve, o que há de bom.

E a lembrança sempre pode ser uma válvula de escape. Então quando a vida der aquela apertada forte no calcanhar, nada melhor do que fechar os olhos e lembrar do que te faz bem. O som do mar batendo nas pedras, o reflexo do Sol na água do rio, o cheiro de mato amanhecido, o canto do pássaro na janela, o latido de um cão brincando, o ronronar de um gato feliz.

Você tem um baú de tesouros morando dentro da cabeça.
Se a vida sufocar, feche os olhos.

[Luciana Meningue]

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