Como seria um conto de fadas em 2016?

“Era uma vez… em um reino mais ou menos distante… uma jovem camponesa que sonhava em encontrar o verdadeiro amor e se encontrar no mundo.”

Quem nunca ouviu esse começo de história ou algo parecido?

Bom…  Vou contar a minha história e embora pareça uma metáfora, soe como metáfora, é a realidade.

Era a última semana de dezembro. A jovem camponesa foi ao reino da alegria e da felicidade, “o lugar mais feliz do mundo” para se divertir e passar um tempo com a sua família, afinal, tinha acabado de perder o emprego e queria deixar seus problemas de lado, Hakuna Matata, alguns diriam. Lá estava ela embaixo do castelo, cópia de Neuchwanstein, decorado ricamente com luzes de natal.

Sua mãe decidiu que precisava tirar fotos naquele lugar para eternizar o momento, pois bem, quem iria ajudar a família “em necessidade”?

Enquanto a camponesa se virava com as compras, o irmão e a mãe pediram para um jovem que estava passando por ali e também tirando fotos, bom precedente.  Ele prontamente aceitou e com a nova máquina da família tentou…uma, duas, três vezes, mas a máquina não queria cooperar. O flash não saia e o click não se ouvia.

“Tudo bem, eu tenho outra”, assim como a Cinderella havia dito sobre o sapatinho. Quando o príncipe tentou novamente, a bateria da nova câmera acabou e desligou. Inconformado, o jovem se prontificou a salvar o dia e a tirar uma foto com a própria câmera e enviar por e-mail para a camponesa. Entretanto, na realidade, a camponesa teve que se perguntar, quem envia fotos por e-mail e não por chats ou Facebook?

Então, digitou seu e-mail no iPhone do príncipe e viu que ele e seu irmão se deram muito bem pois estavam discutindo a dificuldade dela de digitar naquele celular, afinal, ela era uma garota Samsung. A camponesa e sua família estavam apaixonados pelo príncipe encantado que veio ao resgate deles embaixo do castelo decorado com tema natalino. Foram embora contentes e a camponesa sabia no seu íntimo que iria encontrar novamente o príncipe e os pássaros iriam cantar e quem sabe… Quem sabe?

Depois de muita ansiedade, o príncipe respondeu dois dias depois enviando as fotos. A camponesa não resistiu e puxou assunto, por e-mail. Ele deu corda. E assim a camponesa, com o coração quente e cheio de esperança pediu que ele baixasse WhatsApp, já que ele não tinha, e ele disse que o faria por ela. Assim, confirmava-se o interesse do jovem.

O irmão da camponesa, bobo não era e estava aprovando o interesse da irmã. Pediu que ela o procurasse e stalkeasse no Facebook, afinal de contas, como ela não o tinha feito ainda? Ela o encontrou, mas não podia ser, porque aquele príncipe era….

CASADO.

Era dia de ano novo e os ânimos estavam agitados, ela decidiu dar mais linha e ver se ele falava algo. Conversaram até as 3h da manhã mas no fim não deveria ser o perfil dele que ela encontrara, talvez ele nem estivesse na rede social. Iriam se ver no sábado, por coincidência do destino, já que tinham reservado o mesmo passeio, o coraçãozinho da camponesa brilhou novamente.

No dia seguinte, ela introduziu o assunto e o questionou. Ele confirmou o fato. O príncipe já tinha uma princesa. E infelizmente ele não poderia encontrar com ela no sábado, se era isso que ela estava esperando. Ele iria levar a esposa e os sogros no passeio, mas ei… como está seu dia?

Como podia ser? E os contos de fadas? E a magia? O que ele queria com ela? Estamos no século XXI e infelizmente os contos de fadas estão muito mais para irmãos Grimm do que para Disney e nem estando no terreno do último, os sonhos se tornam realidades.

E a camponesa deixou de acreditar? Não sabemos, vamos esperar que o próximo príncipe que cruze seu caminho não seja um sapo.

[M.R.]

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