Carta aberta ao pai da moça

Prezado pai da garota que eu gosto,

Antes que você pense que meu envolvimento com a sua menininha é um deboche perante a sociedade, eu quero explicar algumas coisas sobre o que vem acontecendo.

Quando eu conheci a garota dos olhos cor de canela, aquele olhar era triste. Ela passava poucas e boas nas mãos de alguém que não faz ideia o que é o amor. Alguém que ofertava promessas e não histórias, inverdades e não carinhos reais.

Quando eu a coloquei em meus braços pela primeira vez, deitada no meu ombro, eu percebi que havia ali uma carência de carinho que minguava nela o que havia de mais delicado e doce. E talvez ninguém tivesse percebido isso, mas sim ela minguava aos pouquinhos.

Em contra-partida, na mesma época em que ela me olhava – muito antes de eu me dar conta – meus dias eram de turbulências catastróficas, que mais tarde me deixariam sequelas graves no peito. Cheguei até a cogitar morte encefálica na alma, no coração. Eu me sentia um completo morto vivo, sobrevivendo de momentos que mais pareciam um pouco de sangue para um pobre zumbi que tentava resistir ao massacre do amor não correspondido.

Estou gastando seu tempo pra exemplificar o estado em que encontrei sua adorável, doce, gentil e linda filha. Que por sinal sempre pareceu muito à vontade ao meu lado.

O fato é que não tive intenções de nada, não procurei e não caçava assunto com ela. Mas ao contrário do que parece, ela foi quem insistiu para manter o diálogo naquela noite quente de verão. E não me culpe por corresponder. É humanamente impossível resistir quando ela diminui o tom de voz e sorri gentilmente oferecendo alguma outra bebida.

Eu não tenho certeza, meu caro, qual foi o momento exato que me apaixonei por ela. Mas eu te garanto que desde o segundo que isso aconteceu, tudo o que eu tenho pensado é em como posso lutar para ser um cara digno de fazê-la feliz. E por falar em felicidade…

Eu aposto meu órgão mais importante como desde o nosso primeiro beijo, tudo o que sua menina faz é sorrir. Aposto que nunca alguém de fora deu tanta atenção, cuidado e afeto quanto eu tenho ofertado desde o segundo em que a toquei pela primeira vez.

Então eu peço, ou até imploro se for preciso, deixe-me ser a tal ‘coisa’ que você diz quando aconselha com o: “você merece coisa melhor”. Deixe esse cara aqui mostrar pra sua filha o que é melhor, num mundo de tanta gente descartável. Deixe que eu a faça feliz.

Atenciosamente,

O cara que gosta da sua filha.


[R.B.]

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