Bullying – você ainda vai ser vítima

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A gente sempre acha que isso vai acabar quando terminamos o colégio, quando crescemos, arrumamos empregos, pelo menos é isso que nós falamos para as crianças e os adolescentes de hoje, mas parece que nunca termina: o bullying.

Naquela época nem se chamava bullying ainda, mas já tinha os mesmos efeitos devastadores que tem atualmente. Estou exagerando? Talvez…mas acho que não, pois eu me lembro direitinho de vários nomes que me chamavam, de várias brincadeiras sem graça que somente o grupinho que as fez se divertiu com elas. Lembro-me da vergonha que tinha de ir à escola de bermuda porque minha pele era muito branca, da vergonha de ter espinhas no rosto ou de não ser boa na educação física, porque tudo isso foi tema de piadas.

Mas o bullying que eu vou falar hoje, apesar de se originar da mesma forma, tem consequências diferentes, pois quando um adulto sofre bullying, ele, além de se envergonhar como a criança que era há anos, ele também se humilha, entende aquele bullying como uma pressão social para ser melhor, talvez não se traumatize e chore como na infância, mas provavelmente vai pensar muito naquilo e se sentir pressionado a mudar.

Eu já sofri sendo chamada de um monte de coisas: sapatão (por não ser lá um exemplo de feminilidade),  gorduchinha-gostosa (típica de homens que até admitem sair com moças gordinhas, mas têm vergonha delas), neurótica (porque sou estressada) e por aí vai. A lista de cada um de nós é longa e sempre vem com o sarcasmo e uma ponta de maldade embutidos que caracteriza, para mim, o bullying adulto.

Além do bullying com a aparência, que parece até adolescente demais, há também aqueles que falam do seu emprego (“você num para em um emprego só hein?!”), riem dos seus passatempos (“ai como você é brega de fazer aula de forró!”), fazem piadas com seus relacionamentos (“nossa, mas você só namora gente feia! Credo, parece que é cega!”) ou com sua condição financeira (“até parece que essa fulana tem dinheiro pra ir no restaurante x, vive às custas do marido”). Tudo isso, além de recheado de preconceitos arraigados, causam depressão, sensação de pressão social, falta de vontade de continuar tentando ser melhor, entre outras coisas.

Pode ser até que você pense que eu estou de mimimi ou exagerando, que não deveríamos nunca nos importar com a opinião alheia, mas esse bullying acontece e é transformado sim, volta e meia, em pressão social. Ou você nunca se sentiu levemente pressionado a trocar de carro quando te zuaram que seu Corsinha é uma lata velha?

É inevitável que às vezes você se sinta aquela criança ou adolescente de novo, acuada e envergonhada porque não se encaixar socialmente. Taí um sentimento da adolescência que eu não gosto muito de reviver…  A dica é filtrar o que te influencia ou não e transformar a pressão social em motivação para melhorar o que você, E SÓ VOCÊ, julgar ser necessário.


 

[N.D.]

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