A beleza na imperfeição – Não se venda ao óbvio da moda

Recentemente fui ver uma exposição de fotos das décadas de 40 e 50 daquele fotógrafo conhecido pelas fotos para moda nas capas da Vogue, o Erwin Blumenfeld. Notei uma coisa bem peculiar e que originou este pensamento aqui: as mulheres das fotos não eram perfeitas e eram lindas!

Sutis olheiras por baixo da maquiagem, braços mais grossos, pintas e marcas de expressão leves e delicadas, cabelos loiros ou negros com alguns fiozinhos brancos já aparecendo. Tudo isso dando aquele tom natural e gentilmente feminino, sem culpa, sem crise e sem perfeição doentia. E mais importante: tudo isso na capa da Vogue.

Comparando com as fotos da moda de hoje (e não precisa ser de uma Vogue ou Harper’s Bazaar) aquelas modelos de antigamente precisariam de diversos retoques, pois é inaceitável uma mulher com marca de expressão ou dois fios de cabelo brancos. Uma moça assim ganha fama de desleixada e jamais seria capa de uma badalada revista de moda. É, o mundo mudou…

Comparei a década de 50 com hoje apenas pra dizer: você, moça bonita, não precisa ser perfeita! É legal ter imperfeições e elas podem ser inclusive seu charme, seu diferencial, sua beleza particular. Nos anos 50 você poderia ser capa da Vogue! Seu único dentinho torto, seu dedo da mão que não dobra direito, seu nariz avantajado ou suas curvas de manequim 46 são ok. Acalme-se, é permitido ser bela de formas diferentes das capas de moda atuais. Quem disse? Eu estou dizendo, aqui na frente do espelho. Diga você também!

Você não precisa ter abdômen tanquinho se isso não é seu sonho ou ter a pele bronzeada do verão se você passa a maior parte dos seus dias no escritório. Ter o cabelo ondulado, encaracolado ou simplesmente liso e sem corte definido também tem todo o seu charme. Ah, e não é crime também de vez em quando não usar a roupa mais linda e o sapato mais elegante se você está sem grana para isso ou com o corpo inchado da TPM e só quer ficar confortável.

Lembre-se você está linda! Não precisa passar fome para perder os tão sonhados dois quilinhos, dá um tempo pra você. Come aquela sobremesa boa, e sem culpa. Tá cansada da reunião de ontem que foi até às 20 horas? Num vai na academia não, boba, dorme até mais tarde, e de novo: sem culpa! E o mais importante: você é bela nas suas imperfeições, não precisa viver numa ditadura do suco detox e da drenagem linfática.

E caso ninguém tenha te falado isso hoje ainda: você é fantástica do jeito que é.

 


[N.D.]

 

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